sexta-feira, 13 de maio de 2011

A ALMA TAMBÉM MORRE

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Quem foi que disse que a alma não tem limite?





Onde ficou instituído que o corpo é o único fadado ao fracasso?



Somos um complexo de pequenas capacidades




A nossa alma só consegue ir um pouco além das possibilidades do corpo











Esse pouco parece uma dimensão infinita, apenas uma aparência enganadora




Tão finitos são corpo e alma quanto o tempo da beleza de uma flor





Muitos apertam gatilhos contra a consciência achando que podem impor o fim ao corpo





Querendo encontrar o conforto que a alma inspira





Mas a verdade é que a alma dura somente um pouco mais a morrer... Mas morre




Morre porque o invisível está estigmatizado pelo questionamento, pela dúvida, pelo esquecimento





A escrita talvez seja a única possibilidade de prender o invisível




Sendo ela transbordamento do corpo que a alma guia





E depois que o limite nos apresenta o fim... Ela segue sem sofrimento independente de nós





Sem sofrimento? Não posso garantir





Ao menos ela segue...





Encontrando os seus próprios rumos





Como um abandonado filho, sem pai ou mãe...




Que aprende sozinho o caminho para existir





Nesses tempos onde a alma morre tão cedo




































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quinta-feira, 12 de maio de 2011

O POUCO DE TUDO

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Tenho dois olhos que não dão conta das tantas visões



São tantas as percepções fora que projeto para dentro



E por dentro o que só encontra eco fora de mim



Precisaria de muitos outros olhos para focar



O que em movimento corre apressadamente diante do retina



A íris se espreme no meio dessa rodovia insaciável de fluxo



Que há nas paralelas do meu olhar



Esquilibrando-se numa linha tênue de segurança



Dividindo as vias que de uma lado vão para o exterior



E outra para o interior das minhas sensações mais estranhas



Há muito estranhamento em tudo o que vejo, em tudo o que penso...



E o que sinto por si já é a estranheza "mater" do cotidiano



Se os olhos são essa tal janela que abertos dão acesso à alma



Precisaria eu então de outras almas



Algumas mais para deixar entrar com dignidade o ar e a luz de tudo o que me sopra



Tenho jogado muita coisa fora por falta de espaço



Muitas reflexões são rebatidas...



Às vezes dou com a janela na cara de tantas coisas que me chegam com generosidade



Despretensiosas verdades que só queriam um pequeno desvio de olhar livre dos julgamentos



O nosso destino, enfim, é a conformidade com o pouco que se pode desejar de tudo



Poucos olhos... Pouca alma... Um pouco de tempo e se acaba o pouco de tudo que nos torna muito do nada.






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sábado, 7 de maio de 2011

DICLOFENACO PARA A ALMA.

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Há muitos incomoda o excesso
Eu reclamo silencioso a falta...
De onde tirar quando não se tem o suficiente?
Por esses dias mesmo existe um excesso de dor de dente
Uma dor noturna que é o prenúncio de nascimento
Toda vida nova é incômoda
Como esse derradeiro pedaço da minha boca que nasce
Procurando espaço
Me fazendo sentir a dor que a sua necessidade de ser não pode evitar
Eu não posso gritar... Eu respeito necessidades
Pois as tenho sem compreensão aos montes dentro de mim
Eu vou apenas remediando como posso as minhas e as dos outros
Para não impedir o que precisa ser
Apenas amenizar a parte que sobra para mim
Diclofenaco de potássio me traz uma ilusão de ausência
A dor existe, eu que não a sinto por algumas horas
Assim são as coisas mais crônicas dentro de mim
Mas essas parecem perfurar com as suas necessidades ainda mais além
Só que não para fora e sim para dentro
Não sei se essas dores são de nascimento ou de morte
Sei que preciso de um diclofenaco para a alma
Se alguém tiver algum remédio que cure dores da essência, por favor, me ceda...
Há em mim tanto excesso e falta ao mesmo tempo
Que não sei qual das duas coisas tento sanar primeiro.
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sexta-feira, 6 de maio de 2011

"DESAPRESENTA-ME..."

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Cuidado...
Eu não peço nada além de cuidado...

Um cuidado quase que santificado, de altar mesmo

Há algo no amor que precisa ser Deus

Uma invenção do invisível que emprestamos para buscar a felicidade por aqui

Temos que construir a dois os mesmos temores do pecado

Única forma de se abrirem as portas do paraíso

É preciso que um certo abandono exista para que os mais gratificantes encontros venham a acontecer

Somente com cuidado se alcança a paz

Tenho carregado no centro do peito uma pedra branca

A que batizei de "Coração de Paloma"

Ungi nas águas do mar para que seja forte a vida toda

Uma forma de aproximar a PAZ do lugar onde ela deveria habitar infinitamente

E sacralizar , assim, a minha devoção a outro que não seja eu

Lembrando sempre que cuidar é ter a paz sempre ao alcance do coração

Por isso "desapresenta-se" um mundo profano

Que de nada serve às minhas mais beatas intenções de vida


Ao meu projeto de partilha para uma além possível


Não quero desembrulhar nenhum presente que não sirva às minhas mais íntimas necessidades

Ainda que eu pareça distante da culpa para os meus atos também humanos

Estou o tempo todo em prece para tirá-los de mim

Assim como quem confessa os seus erros

Quem busca a remissão, eu suplico cuidado

Com a mesma fé e verdade com a qual peço perdão

Desapresenta-me, então, os teus vícios passados

Que eu te santifico ainda mais como único senhor da minha maior salvação.
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domingo, 1 de maio de 2011

BANHO QUENTE PARA ESFRIAR O JUÍZO

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O banho para mim é acima de tudo uma das minhas possibilidades de fuga



Mais do que limpeza do corpo



É onde deixo correr as impurezas lançadas a todo instante em meus sentimentos mais nobres



Uma forma de despejar pelo ralo o que uma ilógica razão me impede de jogar na face de alguém



Como tenho exercitado desde o meu primeiro impulso mais humano de vida



A "bondade" opositora aos meus desejos reais



Prefiro esfriar os meus pensamentos no calor de uma ducha



Uma outra forma contraditória de se lavar por fora



O que por dentro se suja o tempo todo.






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BRINCANDO DE GUERRA

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Não me venha com alfinetes que eu não sei guerrear com armas pequenas




Se tenho que entrar em alguma coisa




Ainda que seja num rio de sangue




O faço num mergulho profundo até onde se possa ter o mais intenso toque das minhas mãos




Fico londe de mim quase o tempo todo




Para não ter o incômodo das coisas mais latentes no meu espírito




As que podem em fração de instantes me transfigurar da mais suave imagem




Ao mais indesejável incômodo presente




Por isso não tente deferir com suas pequenas armas




Pontadas na minha moral e nas minhas verdades




Eu sou do tipo que não sabe brincar de guerra
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quinta-feira, 28 de abril de 2011

PODE BEBER... EU JÁ FILTREI.

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Eu começo este poema filtrando tudo
Uma enxurrada de sensações engolidas
Está tudo descendo misturado aqui dentro

Tudo o que eu queria dizer

Liquidificado com uma certa dor, decepção, arrependimento, amor, compreensão, incompreensão, ira, paixão, tristeza...

Passando por um processo lento de purificação
Não quero ferir mais ninguém com os estilhaços desta noite

Que se foi ao chão por inteiro
Ficando apenas pequenos pedaços de uma série de sentidos

Basta a ferida que se abre no meu peito toda vez que o egoísmo é lançado na minha frágil vidraça de crenças

E as marcas avermelhadas de uma carícia dada com força na face

Já aconteceram agressões demais à minha carcaça esperançosa de boas surpresas

Tenho que deixar o pensamento peneirar as cruas vontades que tenho

Separando razão e impulsos reais, pois sei nunca haver respeito ás minhas mágoas

Ainda que qualquer desabafo que faça no papel seja apenas para poupar os outros
não há entendimento para as minhas palavras

Muito menos para a minha consciência dolorida

Melhor não deixar correr através torneira desse filtro que há em mim, com sua força letal, o veneno que contaminou o meu sangue

E me pôs a agonizar mais uma noite

Num contorcer de febre que eleva o grau de fragilidades nas coisas cotidianas

Sem culpa sempre me matam

E eu devo morrer silencioso, segurando forte na honra dos que sabem quanto lutam por dentro

Tentando vencer o pior inimigo que há para qualquer um... O "Eu real"...

D... M... P... A... F... M... E... S... Q... S... M...

Agora pode beber da água limpa

Que eu já purifiquei na insônia da noite o que poderia ser ruim para qualquer organismo

Nada há nada que camadas sobrepostas de lágrimas, pensamentos e palavras não consigam filtrar

Se a minha sina é aceitar o mal que vem dos outros que eu pague então a sentença
Se fui criado para tolerar a natureza humana e perdoá-la pela sua pequena condição

Que seja feita a vontade do universo

É verdade que eu aprendi a filtrar a dor...

Só não sei ainda como eliminar as impurezas que se acumulam em mim
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