sábado, 8 de janeiro de 2011

O SILÊNCIO AMANHECEU O DIA

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Escuta o silêncio desta manhã que começou sem o som do nosso amor


Um gole de silêncio em jejum é tão letal quanto uma dose mínima de cicuta


O dia amanheceu em silêncio



Ou foi o silêncio que amanheceu o dia?



Os teus olhos ainda escondidos



Os teus ouvidos não queriam a mim



Apenas a melancolia das árias mais pungentes



Como se precisasse sublimar os pensamentos amanhecidos em dúvidas

Deu-me as costas para encontrar a tua solidão



Empurrando-me para o encontro da minha



Alguns pesares deveriam adormecer e nunca despertar no dia seguinte



Mas eu percebo que os males não conseguem nunca descansar profundamente



Estão sempre num sono leve



E a qualquer ruído despertam para não mais nos deixar dormir tranquilos



Agora ouvimos o som dos nossos silêncios



Ao pretexto de uma melodia que vem de um piano


O silêncio não é nada sutil

É arredio como a mais primitiva das criaturas

Como a mais cruel das torturas

Que possam nos dilacerar

Esse silêncio não é o mesmo para nós dois

Talvez se eu pudesse ouvir o silêncio que adentra os seus ouvidos nesta manhã

Eu entendesse em qual música eu poderia tornar

Em qual som ideal eu poderia me fazer para trazer-lhe de volta um amanhecer de felicidade.



NÂO HÁ BARREIRA MAIS DIFÍCIL DE TRANSPOR DO QUE A DO SILÊNCIO...
O SILÊNCIO IMPOSTO NOS RETIRA TODAS AS ARMAS PARA LUTAR.
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"AVIDAR"

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Aspiro você para dentro de mim

Aspirando uma vida que dure para sempre


Sei que esse tempo infinito é real na imaginação dos nossos sentimentos


Roubo a sua respiração para mim


Inspirando amor


Expirando insegurança e medos


Cheiro os teus olhos para prender o doce aroma com que me olhas


Quero guardá-lo na minha possível eternidade


Carrego para dentro todo o ar carregado de desejos


O teu amor aquece os meus pulmões com o seu calor de mistério


Impregna-me com a necessidade de querer para sempre


De apostar desmedidamente no tanto


Você se faz brisa todas as noites


E toca o meu íntimo com a delicadeza de uma água corrente


Descongestiona-me o peito


Expectorando as expectativas mais tranquilas da minha alma


Renova-me os segundos convertendo as minhas imperfeições


Reinventando as minhas virtudes


Desordenando os meus defeitos


Sou com você o homem imperfeito com maior perfeição do mundo


Habita tranquilo onde te coloco seguro


E abre a janela da minha retina para sentir sopros de felicidade


Ultrapassa tudo o que sei...


Ratificando a certeza de que nada sei sobre o que possa ser amar


Seguirei roubando a sua respiração


O mesmo ato ilícito até que possa purificar o destino


E fazer de tudo o que aspiro a minha inspiração única


Para que assim, como uma respiração ofegante de prazer...


O nosso amor possa por toda vida se "AVIDAR".
"AVIDAR" é deixar A VIDA ser regida de forma ávida pelo amor, da mesma forma imprescindível que é regida pelo AR
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

SURPRESA

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Quando a surpresa me precipita ao desconforto
O silêncio me seqüestra para dentro dele
As palavras esqueço, as vontades inexistem
Exceto a que me grita para fugir
Não há nada pior do que o desequilíbrio
Sou como uma flor embrutecida
Que quando se abre sem maldade
Fecha-se rapidamente com o inesperado
Uma rosa sentindo na pele a dor dos espinhos
Defesas são ataques que muitas vezes nos arrebatam
Transfiguro a claridade em noite quando sinto ameaças
Não desejo amores que sejam sombras
Talvez por isso mesmo percorra a casa no escuro
Prefiro as sensações que não precisam da iluminação
Ter amor é tão cruel quando não tê-lo
Ambos nos causam um desmantelo na alma
Um por excesso de necessidades que não calam
O outro pela sensação apressada e desmedida de solidão
Há muita fragilidade nos extremos desse sentimento
Por isso mesmo escrevo os resquícios de uma discussão de relacionamento
Que chega sempre de surpresa para me fragilizar
É dolorido sentir-se desabrochar sem medo
E sentir cravadas no peito as palavras ditas pela pessoa amada
Não há pior facada a perfurar a nossa frágil emoção
Vivo de energias, a sincronizar as mais leves fantasias
Que parecem no mais suave golpe desmoronar
Ainda bem que da mesma forma que desmonta
O amor sabe se reestruturar
As mesmas palavras que matam são as mesmas que podem nos ressucitar.
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sábado, 1 de janeiro de 2011

A BAILARINA DO LAGO

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Uma borboleta pousou sobre as minhas pálpebras

Jogou o "pó do mistério" sobre elas

Que mesmo tendo os olhos roubados pelo Falcão Dourado eu pude enxergar...

O mistério tem tempo determinado para desaparecer

Então, era preciso correr contra o tempo

E ver a beleza fugaz das coisas ainda não permitidas a mim na cidade dos sonhos
Subitamente, a cegueira que me inundava desapareceu

Eu não abria os olhos mas conseguia enxergar com a minha alma

Neste momento eu vi um encantador de borboletas

Ele tinha uma máquina fotográfica no peito

Com ela capturava a beleza das borboletas e as conduzia para onde quisesse

Era extasiante ver como aquela máquina tinha o poder mágico de manipular as cores, as formas e os tamanhos das borboletas

O vi correr por entre as pedras da alta montanha que eu estava

E precipitei-me para não deixá-lo desaparecer de vista...

A procura desesperada por ele me fez perder a dimensão do pequeno espaço onde eu estava

Um tropeço me fez cair da grande montanha de pedras que choram todas a noites

Naquele momento, eu pensei que quando eu tocasse ao chão eu acordaria

Como acontece quando a gente está crescendo e sonha...

Mas eu não queria acordar... De repente borboletas gigantes seguraram os meus braços

E eu sentia que o sonho ainda não iria acabar, estava apenas no começo

As grandes borboletas com cores ainda inomináveis me conduziram até o encantador de borboletas

Tomando a sua máquina nas mãos, ele disse:

- Você sabe o que acontece quando eu clico neste botão?

- As coisas belas são aprisionadas, certo?

- Errado. As coisas belas são reveladas.

- Pensei que as coisas belas fossem explícitas neste mundo.

- Neste ou em qualquer mundo a beleza não alcança a dimensão perfeita do olhar...

- Que lugar é esse?

- Um lugar onde os mestres da cidade dos sonhos não podem me encontrar, eu sou procurado por todos, perseguido por mostrar as coisas mais preciosas da cidade dos sonhos a quem não tem autorização para isso... Mas eu acho que toda beleza precisa ser libertada!

- Eu não acredito que ainda possa existir algo belo que não seja livre por aqui.

- Vem comigo!

O encatador de borboletas clica na máquina do seu peito e um flash de luz traz duas grandes borboletas corujas para nos conduzir.

- Vamos entrar num lugar muito sombrio, precisamos de borboletas acostumadas com as sombras dos desejos.

Elas nos ergueram e adentraram num vale sombrio, um caminho que eu não conseguia enxergar. Apenas sentia a sensação do vento, das folhas das árvores... Sem menos esperar, o meu peito foi envolvido por uma sensação de corda a apertar, como se alguém pressionasse forte, porém suavemente o meu coração com a duas mãos. Surgia uma vontade de chorar com gargalhadas e rir em prantos ao mesmo tempo. Antes que eu transbordasse esse sentimento, a escuridão passou, dando lugar a um céu lilás... Quando me dei conta, estávamos pousando numa pequena ilha em meio a um lago de cisnes lilases, onde dançava uma pequena bailarina solitária. Ela era bela, diferentemente bela das outras bailarinas que já havia visto dançar... Todos os cisnes eram espectadores dela, ao seu redor formavam uma plateia timida ofuscada pela incomum beleza da vida. O encantador de borboletas se aproximou de mim, percebendo o meu deslumbramento.

- Algumas belezas incompreensíveis moram em ilhas nunca exploradas.

- Acho que entendo de onde vinha essa sensação que me invadiu...

- Bem vindo à "Ilha da saudade"

- Como eu não pude reconhecer esse sentimento? Acho que é porque nunca senti...

- Quando a saudade chega nunca mais nos deixa...

- Do que ela sente saudade?

- Saudade de uma vida que ainda não viveu... É difícil entender como uma criatura pode ter saudade de algo que ainda não teve, mas essa é a pior saudade que se pode sentir.

Eu olhava a felicidade nostálgica com a qual dançava aquela bailarina de corpo incomum, parecia ter peso, mas era leve como um balão cheio de ar, doce como um algodão, alva como uma lua cheia... Uma concentração que nos arrastava para dentro da sua dança. Por um momento parou num salto suspenso e olhava para as águas do lago como se visse algo que te trouxesse uma lembrança muito preciosa.

- O que ela está fazendo?

- Toda vez que ela vê o seu reflexo no lago muitas coisas passam pela cabeça dela... É o momento onde ela percebe que é única e está protegida dos olhares maldosos do mundo. Vê os cisnes, eles sempre foram a projeção perfeita de uma bailarina, mas eles são todos iguais... E aqui percebem a força que existe quando se é diferente... Quando percebem que a diferença é que nos torna reais.

- Agora entendo... Ela vive aqui solitária porque a sua beleza ainda é abafada lá fora. Eu pensei que apenas os olhos dos HOMENS-GENTE é que estivessem despreparados para lidar com a beleza, mas agora sei que basta ter olhos para deixar de ver o que é importante de verdade.

- E pra quem ela dança? Sempre dançamos por algum motivo.

- Ela dança por um amor ainda não encontrado e por ele dança com saudade.

- Você poderia ajudá-la.

- Eu?

- Você não revela a beleza? Mostre para ela o que procura... Permita que ela sinta saudade do que tem, não do que ainda é apenas desejo.

- Não foi por acaso que as minhas borboletas chegaram até os seus olhos... Você é o menino-gente com olhos de poesia.

- Você e suas borboletas me fizeram enxergar de olhos fechados... Faz com que ela ame de olhos abertos.

Neste momento o encantador de borboletas se aproximou do lago e fotografou o reflexo da bailarina na água. Um flash de luz tomou toda a dimensão do lago e contaminou todo o céu mudando a sua cor para um azul imperial. Da água um príncipe negro com olhos de rubi saiu com os pés sobre dois cisnes que o conduziram até a bailarina solitária... A saudade se escondia nos seus olhos dando espaço à uma felicidade de realização. Duas belezas incomuns dançavam sem desrespeito na ilha da saudade, livres da nostalgia daquilo que ainda não se viveu.

Deixamos os dois naquela pequena ilha que não cabia mais ninguém... Eu fui conduzido de volta para o alto da montanha de pedras que choram. O encantador de borboletas e eu tínhamos um segredo que nem com cem anos contarei a alguém.

DEDICO ESTE POEMA A FERNANDA MATOS - FÊFA



Uma bailarina linda, uma mulher que vive muito por dentro, antecipando a vida que ainda não chegou.















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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

EXPLÍCITO

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O meu amor é explícito
Grita sem pudor e sem julgamentos
Eu quebrei o meu filtro
Que se danem os que não dão vazão aos seus sentimentos
O meu amor é sem limites
Explícito como o sexo implícito
Ilícito é viver sempre procurando nexo
E sentido para as coisas que não precisam de razão
Amor que não contamina
Que não transborda e reluz na retina
Nunca deixa de ser pura invenção
Hoje sei onde a alegria e a tristeza dão as mãos
É no sexo de dois amantes
Que se entregam sem se importar com as paredes
Amar tem que ser explícito como a sede
Como a fome que não nos deixa calar
Percebo que o amor conhece caminhos
Que eu ainda não consegui enxergar
Mas tenho a intuição de que ser explícito
Ampliará o meu desejo
Fará encontrar a loucura que ainda não vejo
Mas que se prenuncia quando nos entregamos descompensadamente
Todo dia o amor me mostra uma face
Estou sentindo agora o seu melhor disfarce
A sua mais plena aparição
Que mistério é esse que às vezes demora tanto
E noutro instante chega tão sorrateiro como a beleza furiosa de um vulcão?
Quero explicitar o meu querer pelos ares
Hoje o meu amor passeia pelos sete céus
Saiu das profundezas dos setes mares
É aéreo, etéreo, com listras verticais
Salta pelos poros, pelos sentidos, supera as dúvidas convencionais
É santo ainda quando o inferno chega sem prenunciar
Do céu para o céu sem se tornar decaído

É tão cedo e tanto
Um adocicado manto perfumado à francesa
Que me faz ainda mais explicito do que já sou por natureza
Torna-me ainda mais convicto de que o amor é a única coisa que nunca vai acabar
Será sempre o meu tema preferido
Todo dia dito, lido e relido sem nunca se ter conclusão
A única bebida inebriante que consegue me desnudar
E tornar explícita toda a dimensão oculta do meu coração






NÃO BASTA SER AMOR, TEM QUE EXPLICITAR!!!!






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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O HOMEM DE LATA

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- Deixa eu ficar quando esta noite acabar...



- Ainda há mistérios na cidade dos sonhos que você não pode conhecer...





- Eu não gosto de acordar todo dia para o meu mundo de gente Falcão Dourado, grande pássaro dos sonhos.





- Eu já violei demais as leis deste lugar imaginário, se quer mesmo ficar, terá que abrir mão dos teus olhos. Ainda não é o tempo de ver aquilo que temos de mais precioso.





- Eu faria qualquer coisa para permanecer aqui.



- Qualquer coisa? É preciso ter cuidado com o que desejamos. Lembre-se somos donos apenas do nosso desejar mas não dos nossos desejos!



O Falcão dourado bateu as suas asas e delas saiu uma nuvem cintilante de paz que envolveu todo o corpo do menino-gente e o fez flutuar... A nuvem era agora a projeção da sua mãe... Ela o embalava no colo e assim ele adormeceu.



Foi a primeira vez que ele não retornou para casa... Aquele seria o seu primeiro despertar na cidade onde tudo o que nos inunda de noite ganha a dimensão da nossa fantasia.


- Menino! Menino-gente!




- Quem está aí?


- Sou um HOMEM DE LATA


- O que acontece com os meus olhos? Por que não consigo enxergar?


- Eu vi quando o grande pássaro dos sonhos engoliu os seus olhos. Acho que ele fez isso para que você não ficasse cego com as coisas incompreensíveis deste mundo... É preciso tempo certo para enxergá-las.


- Como então posso eu existir sem ver?


- Pior seria viver sem amar.


- Do que está falando... Eu trocaria os meus olhos por um coração.


- Mas como poderia amar sem enxergar o objeto do seu amor?


- Eu não sei... Pensei que você pudesse me ajudar. Dizem que no seu mundo todos os homens tem coração.


- É verdade todos possuem um coração, mas poucos sabem para que serve um.


- O que recebi em OZ nada mais era do que uma ilusão e logo foi dilacerado.


- Realmente ilusões levam pouco tempo para desaparecer. Quer dizer então que foi a desilusão que o despedaçou?


- O que aconteceu foi apenas uma falta de cuidado... Eu tive um coração e nunca soube como usar... Disseram-me muitas coisas sobre o manuseio dele, falaram-me que o amor ajudaria a deixá-lo sempre belo e vívido... Mas eu nunca entendi ao certo o que era isso. Responda-me você o que é esse tal de amor.


- Eu sou muito pequeno para dizer qualquer coisa sobre esse sentimento tão antigo... Mas penso que amar seja algo como o desejo de querer sonhar todos os dias. Como se fosse preciso abrir mão dos olhos e enxergar com o restante do corpo, algo como o que sinto agora... Eu não consigo te ver, mas posso tocar a sua lataria e perceber que existe algo aí dentro que não precisa pulsar para mostrar que é grande, entende?


- Entendo... Eu passei muito tempo procurando a beleza das coisas, das criaturas... Acreditando que o belo reconstruiria o meu coração. Agora vejo que o problema está justamente em não enxergar da maneira correta tudo o que existe.


O menino-gente tateia o corpo do Homem de lata, começa a bater suavemente em seu peito e ouve um som oco. O abraça fortemente.


- Existe muito espaço aí dentro... Ainda está vazio. Algumas pessoas trocariam um coração por um rim, pois esse tem filtro e conseguiria eliminar o que não é bom. Mas se quer construir um coração, imagino que o primeiro passo seria não filtrar nada. Deixar ser inundado até que o amor possa transbordar por entre os seus olhos... Não é um coração que nos ensina a amar, são os acúmulos que deixamos transitar livres dentro de nós que constroem a nossa sensibilidade...


Neste momento eu pude sentir a carcaça fria daquele homem de lata se encher de calor, como se por dentro algo tivesse sido aquecido. E algo começou a reverberar... Com uma pulsação tímida, porém, marcante.


- Os boatos sobre o sábio menino-gente com olhos de poema eram verdade... Eu agora sinto algo voltando a ter movimento aqui em meu peito... Ao menos o caminho não é tão longo quanto eu supunha...





- Os corações do meu mundo não serviriam para você. Eles se machucam e dificilmente se abrem depois de uma queda dolorosa. Há ainda os corações que não querem mesmo apreciar os melhores sentimentos do mundo. Eu acho que você tem um coração, sempre teve, precisa apenas fazê-lo perceber que ainda está vivo.


E sem dizer mais nenhuma palavra, eu pude ouvir os seus passos se distanciarem de mim. O ranger do seu corpo de lata ia ficando cada vez mais distante... E logo eu estava de novo em silêncio. Extasiado com a certeza de que ter olhos é irrelevante quando se enxerga tão claramente com o coração.



POEMA DEDICADO A ANDRÉ BONFIM. CADA UM COM A SUA PROCURA... ACHO QUE A SUA NÃO ESTÁ EM OZ E MUITO MENOS NA CIDADE DOS SONHOS.





-

























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DO CÉU AO INFERNO NUM SEGUNDO

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Que amor é esse que nos leva do céu ao inferno num segundo?
E me faz desaguar em um pranto profundo
Revelando as fraquezas que eu pensei não mais conter
Então amar não é o suficiente?
Se nos encontramos no mesmo ponto de partida
Por que então dificultamos tanto a felicidade adquirida
Neste acaso que nos pôs frente à frente?
Eu sinto uma vontade sem razão
de colocar você num cantinho intocado do meu coração
Onde não mais pudéssemos nos machucar
Não sei o porque deste desejo encantador
Que me faz pela primeira vez explicitar todo o amor recém descoberto
Nunca senti tão cedo a vontade maluca de assumir
Um sentimento que pudesse me desarmar
Eu sei que quase nada sei dessa procura infinda de amar
Mas agora me sinto mais perto
Como se não houvesse o temor do deserto interminável de nossa ilusão
Sinto como se pudesse cantar por dias e dias sem fatigar a voz e os ouvidos a mesma canção
Há algo estranhamente bom neste instante em que encontrei você
Precisamos apenas equilibrar as forças que temos para não nos deixar desaparecer...
Somos iguais na dor e no medo de querer
Mas precisamos renunciar os nossos instintos para que o nosso amor possa todo dia renascer
Leve, divino, adocicado
Do jeito que eu sinto a vida toda vez que penso em passar os dias junto a você


TE AMO! ASSUMIR ISSO É NOVO PARA MIM.
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