terça-feira, 24 de novembro de 2009

NO ÚLTIMO SEGUNDO...

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O próximo segundo chega rápido
Quero uma hora diferenciada
Que as flores não exalem a tristeza incondizente ao meu riso
Não se distanciem do meu corpo
Por favor, cheguem mais próximo...
Permitam que ouça, ainda que não acreditem que possa,todas as críticas de uma vida que não habita mais em lugar conhecido
Sentimentos ultrapassam algodões e pele oca
A energia que sempre busquei é invisível
Por isso compartilhem comigo as opiniões secretas de mim
Joguem em ondas de silêncio as vontades nunca ditas
Sempre fui bom ouvidor do bem e do mal
Revelem na retina as fotografias de momentos passageiros ou duradouros
Não se forcem a lacrimejar
Lágrimas só lavam nossas próprias almas
Sei que a memória dura o tempo do olhar...
Então eternizem o instante com sinceridade
Joguem para o alto e com força as energias de sensações que causei
Façam-me ver mesmo com os olhos fechados a poesia do humano que deixei para trás
Preciso ver em vocês razões para morrer leve como sempre vivi
O próximo momento se impõe à vontade
Mas posso, eu agora, antecipar o meu desejo quando o último segundo me soprar para o desconhecido...
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TRAGOS DA NOITE

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Hoje me refugio no verso para encontrar a mim perdido num instante de melodias
Toda canção que entra no meu ouvido carente transborda as verdades de uma alma muda, perdida...
Hoje sou outro, um alguém que precisa ser normal...
E faz da normalidade desnecessária a única porta para um mundo habitado por todos
Com a lua surge o além de tudo... De mim... Da razão
Aquilo que sou para todos e o que não sou para alguns
Eu não tenho feito o mal...
Tenho jogado violentamente o amor...
A outra face de um mesmo sentimento
Eu preciso acreditar que em um ponto de todas as noites sentimos a mesma querência de nós...
Vejo nas noites que se tornaram maiores do que eu, aquilo que nunca busquei...
Sou um momento de embriaguez que não tem acalanto nem entendimento
Tenho sentido a noite como um gole áspero de uma bebida que bebo sem saber o por quê...
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domingo, 22 de novembro de 2009

UM POETA ME TIROU PRA DANÇAR

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Há tempo não encontro alguém que dance comigo à distância
Ele entendia minha a dança da solidão como ninguém
E partilhava a sua "inveja branca" enquanto me via bailar com o invisível
A branca inveja surge para suavizar o pecado mais divino que existe no homem
Indagava-me sobre a minha felicidade e a resposta positiva nunca soou tão verdadeira e destemida
Um homem de coração tranqüilo irradia beleza no espaço
Ignora o peso que as falsas ilusões querem impor à existência
Hoje eu quero um alguém leve com quem possa fazer amor flutuando
Mesmo dançando longe nossos passos conheceram a maturidade
Nossos versos ganhavam profundidade a cada experiência crônica
E nossa poesia a única publicação realmente eficaz
A que se propaga no silêncio e nos dedos
Os meus versos convidaram os dele e dançaram bem lentamente
Ouvindo a vida como melodia
Dois poetas dançando no imaginário vivo dos que sentem mais...
Os nossos olhos valorizavam as palavras proferidas e as saboreava
Por um momento estávamos à rua, no sol, de dia e de noite.
Em todos os lugares e em lugares extremos...
Visíveis em um encontro que não pode ser visto nem entendido facilmente
Mas que foi fotografado pelo universo
Um sonho curto aproximou, à distância, um par prefeito para uma suspensa dança a dois.



Dedico este Poema a Gustavo Lopes, poeta de Fortaleza. Os versos foram inspirados pela nossa conversa virtual através do msn, na qual compartilhamos pensamentos poéticos. E foi ele quem me apresentou o termo "INVEJA BRANCA" o que trouxe para mim um novo olhar sobre a inveja.
Gustavo, "ainda não saímos no jornal" , "ainda"... Quer saber de uma coisa, a poesia não precisa sair no jornal! Poesia só precisa de libertação! SALVE MANUEL BANDEIRA!
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OLHOS DE POEMA

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Olhos de poema, mistério que busca revelar-se por inteiro...
Sim... São olhos de acúmulos
Que percorrem almas com a fome de quem procura a si mesmo
Desordenando espaços, crenças, limites... Vivendo apenas possibilidades
O caminho dos olhos é o mais seguro
A maturidade está num brilho que foi tatuado antes do nascer
Verdes encantos, verdes sorrisos, verdes paixões... Verde vida que cobre o seu rosto
Pelo ar o cheiro de um anjo lascivo
Um perfume que não me pertence, mas que se adapta a minha pele intensamente...
Ratificando o pulsar do que é proibido... Do que é apenas nosso
Possui a eternidade no instante de um sopro
E o seu toque o único possível
O melhor toque para se sentir, uma forma que é a minha...
A sua voz... Perfeita para um poema de Lorca
Feita para o seu mais simples pensamento
Que de tão simples carrega a essência das coisas mais complexas da vida
Canção que quero ouvir repetidas vezes, sozinho...
Deixar ecoar silenciosa do meu corpo...
Reverberar na alma, se alastrar por minhas veias de sensibilidade e sair esparsamente pelo olhar...
Tornou-se a dimensão do meu verso, refazendo as melodias do meu canto...
Surgiu com o acaso, cresceu no silencio a conquista, torna-se grande no invisível...
E é aí que está a nossa existência... Naquilo que não se pode ver com olhos de homem...
Mas com olhos de poesia...
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PÁGINAS DA MINHA ALMA

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As páginas de amor parecem nos prender mais... Nelas o olhar estagna
A próxima página que escrever
Trará nas suas linhas notícias do futuro da minha alma
Mato hoje o passado com um punhal de verdades
De frente com a minha dor descobri os homens
Protagonista e antagonista como realmente são
Mais confirmações sobre as mentiras de instantes já corridos
Os presentes que traziam no seu interior o veneno que me faria definhar
Foram todos abertos e morri...
Paguei com bondade, sem saber, a maldade que por sobre meu peito dormia...
Mesmo que minha mão se levantasse contra a face amada e nela deferisse dor...
E sem saber por que se levantava, mesmo assim não haveria injustiça nos meus atos...
Num encontro nunca desejado e sempre querido matei a minha mentira
Qualquer poema que tenha destinado a utopia de um amor meu, real...
Será agora transferida para o universo
Este erra, mas com dignidade e genialidade, é o maior de nós...
Os olhos não são dignos de poesia porque não sabem o que é a beleza
Conseqüentemente nunca verão a vida...
Como disse: A próxima página que escrever trará notícias do futuro da minha alma...
Nesta ficam registradas as últimas palavras fúnebres de um passado de enganos...
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A MESMA COISA MODIFICADA POR DENTRO

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Na cadeira do lado partiu comigo a solidão
Ela contava coisas repetidas
Relembrava as mesmas histórias que pensei não nos acompanhassem em viagens longas
Era engraçado vê-la adormecer às vezes e tudo se aquietar
Eu virava um pouco a contemplar as imagens que projeto na janela
Passagens rápidas de um caminho que parece o mesmo, apenas mais acelerado
Em toda estação ela acordava e descia para poder esticar um pouco o corpo encolhido
A cada parada se misturava a todos os que esperam nas estações
Parecia que se entendiam e podiam conversar sobre tudo...
Acho que a solidão mora tranqüila nas estações
E assim foi até o destino da minha viagem
Ela e eu... A falar, relembrar, observar, cochilar, adormecer...
Comecei uma subida que parecia não ter fim
Fiquei uma semana perto do céu
Abraçado ao frio da contemplação
O que me aquecia eram os corpos que abrigavam o calor da inquietude
Percebi que muitos também tiveram como companheira de viagem solidão
O clima nos afastava, mas nos obrigava a estar juntos
Todos os corpos precisavam ver todas as almas
Todas as almas precisavam ter todos os corpos
Vi corpos... Tive almas... Vi almas... Não tive o corpo
O problema de conhecer pessoas é perceber que elas são fundamentais
São indissociáveis... Anexos de nós
Comprei o bilhete de volta ao começo
A questão é: de onde retomamos a vida após uma longa viagem?
Desta vez a saudade não era etílica, ela veio ébria e silenciosa
Diferente da solidão ela não ocupava apenas a cadeira ao meu lado
Ela ocupava todas as cadeiras do ônibus rumo a uma retomada de uma vida que não sei exatamente onde parou...
Assim como eu me modifico com as viagens longas
Solidão e saudade trocam o nome em um percurso invertido
Somos, então, a mesma coisa transformada por dentro
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sábado, 21 de novembro de 2009

VAI BUSCAR O TEU LUGAR

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Poesia vai buscar teu sentido!
Por que adota alguns filhos e os educa para habitar irrealidades?
Ai, poesia! Seque como água ao sol!
Evapore para que se dissocie a beleza do lixo
Aqui não tem lugar para os teus olhos, poesia reveladora...
Tua presença é dor
Pode ir tranqüila! Estarei aqui de pé para assegurar a tua partida
A qualquer precipitação de carcaças ou elevar de vozes sairei em tua defesa
É melhor que saia de noite ás escondidas
Para poupar-te de maldizeres
Sei que é sensível a fraquezas e incapaz de usar a sua força
Avassalador poder de definhar o homem com o seu próprio veneno
Quando fizer um sinal, virarei de costas e retornarei...
Não quero conhecer o caminho que te conduz a elevação
Sou humano e posso, portanto, não guardar o teu segredo...
Apressa-te poesia! O dia já vem e os homens vão despertar para a sua humanização
E ficará impossível que parta daqui, terá que esconder-te novamente...
A poesia só está segura no íntimo de poucos
Frágeis defensores perante uma multidão de iguais
Vez por outra pensarei em ti, mas por tempo curto...
O humano possui a capacidade de dominar mentes e posso ser descoberto
Até mais, poesia! Mãe... Encontro-te no céu, caso consiga após tua partida merecê-lo...
Depois que se for serei humanidade e por isso mesmo sem salvação
Vai, poesia! Vai buscar o teu entendimento...
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