sábado, 16 de abril de 2011

SEU REGRESSO

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Eu sou a sua visão quando regressa de viagem

Depois dos vôos que faz por curiosidade

A fotografia estática que se contrapõe às paisagens efêmeras

Sou o seu olhar quando volta ao ponto de partida

Ao começo de uma percurso que não deveria buscar

Sou de toda coerência o desconhecido avesso

A razão que abandona a lógica para poder sonhar

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

A POESIA ME ENCONTRA

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Eu não posso perder aquilo que me encontra




E que nunca saberei exatamente onde está




Não posso deixar de ter poesia




Se você me traz todo dia um novo encanto ao olhar




Desculpas as minhas palavras mais doloridas




Elas são um grito que a dor rebate para não sangrar sozinho


É que por vezes me fere a cabeça com golpes de pensamento


E despejo como carícias fortes o meu intenso amor


Mas nunca deixe a dúvida transformar os teus olhos


Nada além de amor existe quando os versos usam o meu corpo para falar


Os maiores sentimentos às vezes confundem as coisas


E passam a deferir peso quando o real desejo é tão somente acariciar


Por isso mesmo entenda que não perdi a poesia que insiste em me encontrar


Ela é a minha perdição...


Neste instante da minha alma, todas as páginas talhadas, possuem o teu nome O cheiro da tua pele...


A essência de todo o prazer e confusão que viver com você me inspira


Ainda que eu não tenha aprendido a controlar o poder que fala por minhas mãos


Tenha a plena certeza de que quando a poesia se for eu não hei de aqui ficar


Sinta em toda a esfera que me reveste como uma roupa reluzente de vida


Que você é o meu complexo e imperfeito ideal motivo de escrever diferentes nuances de felicidade


Mesmo quando essa felicidade ganha um agridoce sabor de desabafo


A minha poesia existe!


E se mostra feliz quando reafirma a capacidade que você possui de me fazer sonhar.
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REGRESSO ALADO

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Há muito não sonho com vôos

Passeios entre nuvens

Corpo suspenso sem gravidade

Sem peso algum de pensamento

Mas às minhas noites retornam os cavalos alados

A me carregar pelos céus

Seguindo a extensão do mar que se faz espelho à luz do luar

Quando criança os pés não encostava no chão

E as mãos não alcançavam realidades

Era sempre um decolar em vôos rasantes

A passar mais tempo morando na lua do que em casa

Distante de qualquer jugamento ou invasão ao meu estado de fantasia permanente


Acordei triste por ver crescer o que há de terreno em mim

E passei a calçar pesadas sandálias de maturidade

De uma lucidez que não entendi ainda para que serve

Quando a incompreensão se torna tamanha

Eu simplesmente durmo...

Por vezes um sonho agoniado

Impossível de lembrar a sua existência incerteza de ainda poder sonhar...

Agora sinto a perplexidade da surpresa de boas visitas

Regressam os cavalos alados

Ainda tão belos e dóceis como a lembrança que deixaram

Os mesmos que debandaram quando cresci

Tão rápido que nem pude ver para qual direção

É bom sentir que algo nosso volta...

Que um dia regressa...

Nos fazendo sentir a indiscritível leveza de ser pequeno e inocente novamente
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domingo, 27 de março de 2011

CUMPRIMENTA-ME

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Nunca tive tanta intimidade com a felicidade

Sempre a observei timidamente com olhar cabisbaixo

Num acanhamento quase atabaroado

Sendo assim, pouco posso partilhar a seu respeito

Posso sim dizer que neste momento ela está mais próxima do meu campo de visão

E que me dá uma nova e boa impressão sobre a sua presença

Prefiro nunca chamar a sua atenção para mim

Chamar o seu nome a todo instante

Não quero que ela me estranhe

Que se desgaste ou me enerve

Prefiro ser alguém que ela também observa de longe

E que por vezes chega a cumprimentar.
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domingo, 6 de março de 2011

MAR ESCRITOR DE AREIA

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Mar escritor de areias
Que traça linhas ilegíveis aos que não sabem interpretar a sua língua
Deixas à tua borda os teus versos para que nos deslumbremos
Apenas com o que sentimos e nunca com o que entenderemos
Escultor de pedras
Tu que esculpes beleza nas rochas mais improváveis
E as conduz pelos séculos como se nunca houvesse peso
E carrega tudo com a soberania de quem nasceu para nunca se deixar levar
Mar que tudo traz e nada deixa sem tocar
Manuseias as estrelas criando o seu céu particular
Domas a vida que nos amedronta encontrar
Protege com o seu temor a liberdade dos verdadeiros donos deste lugar
Pintor de corais
Das cores inimitáveis o criador, dos sons o domador, do mistério o senhor
O mais sábio de todos os artistas
Sei que ensinou a sua técnica ao céu
É visível a sua influência sublime nas telas que ele cria
Precisas nos ensinar como peregrinar sem sair do lugar
Revelar-nos o segredo das marés
Como fazer de qualquer coisa obra de arte
Mostra-nos como sempre encher os olhos sem fatigar
Ajuda-nos a entender o que dizes com o teu movimento
Permite-nos enxergar o que vem no vento que sopras em nossos frágeis espíritos
Alfabetiza-nos, ao menos, para que não tenhamos a infelicidade
De morrer sem nunca ter entendido plenamente a poesia
Que há em tudo que está sob o seu domínio.
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

PERFIL

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Só reconhece a vaidade
Que dela sempre se alimentou
Repugnas em mim
O que sempre venerou em ti
Sempre esteve em busca da sua melhor imagem
Talvez não tenha tido a mesma oportunidade de expor que eu tenho
Vasculhas os teus retratos e observa se o teu incômodo não é familiar
Sempre usou a tua imagem para atrair o desejo
Desculpa mas não me condenes também por aquilo que vejo
A diferença é que eu nunca vou te julgar.
O segredo também é uma forma pretensiosa de exposição
Talvez a que requeira mais desprezo
Por não ter coragem para ser de verdade o que se é...
Por nunca mostrar ao mundo a sua verdadeira condição.
Queres traçar o meu perfil a partir do seu
E te antecipo, não vai conseguir
As minhas necessidades transitam bem longe do universo da carne
Esse que a você é tão familiar.
Há em mim uma leitura que ultrapassa o seu registro
Se procurar nos escritos do teu corpo e da tua pele
A referência para me entender
Não ira encontrar...
Você não é adepto da diferença, não lida muito bem o que não depende de conexão
Então se tens a pretensão de traçar alguma idéia sobre mim
Traça na sua cabeça, pois o erro nunca te causará vergonha
Talvez se tentares me ler debaio d`àgua
O embaçar da visão desembace a sua percepção equivocada sobre mim
Quem sabe assim o que antes parecia nítido
Seja ajustado pelo desfoque do olhar.
Não... Eu não sou igual aos pratos que já comeu
E se me deixei comer foi por te achar merecedor
Só me saboreia quem é exceção... Ao menos eu penso ser
Caso contrário eu devoro e logo faço a digestão
Nem estou dizendo que seja melhor
Mas qualquer um que tenha provado
Foi preparado a partir de receitas encontradas em qualquer manual “xinfrim”
Não venha tentar preparar a mim
Que eu me preparo sem regra alguma nas mãos
Eu sou preparado com o que se tem
E muitas vezes com o que se sobra
Você pode até identificar os ingredientes do meu preparo
Mas nunca saberá ao certo a quantidade que me criou
Sou para paladares refinados, apesar da pouca sofisticação
Se queres uma fórmula para entender do que sou feito
Vai procurar nas canções antigas
Ou num livro que nunca leria
Não queira me procurar em tuas prateleiras banais
No amontoado de registros comuns
Que sempre seguiram receitas triviais!
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"TUOEAME"

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De repente comecei a não mais sentir tesão em ouvir um “eu te amo”
Deve ser mais uma das imagens de felicidade que desabam do meu castelo de fotografias
Percorrendo a história de um novo romance
Sinto como se tivesse lendo apenas um capítulo destinado a mim
Mas quando eu começo a folhear em retrocesso as páginas que me antecedem
São tantos os nomes, fotografias tiradas, lugares percorridos, cartas escritas, e-mail`s trocados, jantares saboreados... Um passado repetido no presente.
E foram tantas as vezes em que se disse “eu te amo” a ouvidos que não os meus.
A repetição de uma vida que em nada serve para mim
Eu queria inventar a minha própria maneira de dizer o que sinto
Um expressão que não tivesse nunca sido destinada aos ouvidos de mais ninguém
Uma melodia de palavras que chegasse virgem, intocada por outras bocas
É estranho eu pensar que penso isso
Logo eu que sempre construí um percurso tendo o amor como “linha-guia”
Que tal se agora brincássemos de não fazer nada que já tenha sido feito por outros?
Se buscássemos isoladamente fazer o outro ser sempre o único
Se tatuássemos uma estrela do mar como aliança?
Que tal se a partir de agora disséssemos “TUOEAME”?
Ao menos desconstruiríamos o que virou instituição
E nos permitiríamos não seguir fórmulas e rituais que nos retiram a originalidade de viver
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