domingo, 5 de setembro de 2010

Batalhas que travamos com os olhos...

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A pior batalha que travamos é contra os nossos princípios
Não existe substância química que transforme aquilo que somos de verdade
Se manter fiel aquilo que se é não é uma tarefa fácil
É uma violência que nos impomos para viver em paz
Almejar que outros partilhem da idéia de respeito ao que se constroi
Seja no campo das relações humanas ou no tocante ao verbo é utopia pura
Acredito que a morte em vida só é possível através do embate
De um duelo dos olhos com as coisas que não queríamos ver
Eu continuo recebendo menosprezo como paga pela minha disponibilidade
As espadas mais afiadas são justamente aquelas que parecem mais inofensivas
Essas penetram a parte mais profunda da alma e vão dilacerando sem piedade
A grande questão é que eu não quero tirar o pior de mim para entrar numa briga
Sei que esse meu lado é avassalador
Mais uma vez eu constatei que estou entre uma necessidade criada e as suas falsas tentativas
Eu consegui viver exclamações e abandonar as reticências por uma noite
E assim eu te vi como verdadeiramente você sempre foi... Uma mentira
Nada além de uma realidade fantasiosa que se apega a um passado que não será passado a limpo
E faz do presente um emaranhado de relações pendentes e rasas
Uma certeza me chacoalhou hoje pela manhã e me fez despertar
Você não respeita ninguém
Principalmente aqueles que fazem as mais sinceras ofertas
Eu sabia que alguém iria morrer
Mas eu não esperava que fosse ficar feliz com isso
Eu confrontei com os olhos a sua embreaguez
Ainda que vendo aflorar fagulhas que me alfinetavam a retina
E você me deu as únicas certezas que me distanciam das pessoas
A certeza de que não há respeito nem força
Duas pequenas e incomparáveis coisas que reduzem qualquer imagem ao nada
Você apareceu assim para mim, logo, não existirá mais você em minha vida


Poema feito depois de uma noite em que abandonei a vida nas reticências para exclamar... Eu fui feliz, exceto pelo pequeno detalhe de que alguns "amigos" não entendem o valor daquilo que fazemos e nos pagam o bem que fazemos com desrespeito.
Hoje estou leve, existe ressaca, pequeno arrependimento e muitas certezas... Ah! A dor eu mandei ela de volta para quem a trouxe para mim.
05 de SETEMBRO de 2010 10:51
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

VIVENDO NAS "RETICÊNCIAS" (...)

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A pior coisa que podemos nos permitir é viver nas reticências
Calar aquilo que por dentro é uma vontade sem mensuração
Viver com o silêncio das coisas não ditas nos impõe a coexistência com um universo de fantasmas Eu estou preso nas reticências, num cotidiano de uma história inacabada
Preso na possibilidade daquilo que poderia ser, mas não quer ser meu
Por isso, venha a se tornar para sempre mais uma suspensão
Acordo todos os dias com as reticências
Tento construir uma jornada nova para os meus pensamentos
Mas as horas permanecem repletas de silêncio e calar torna-se a minha única afirmação
Sou posto diante de lacunas que preencho com as minhas mais agoniantes verdades
O pior é quando nos impõem as reticências
E deixam a subjetividade a nosso critério e capacidade de ler aquilo que não queriamos
Tenho terminado o meu dia com inúmeras reticências
Respostas que talvez eu nunca terei, nunca consiga decifrar
Eu não sou afeito a colocar pontos que determinem o final das coisas
Não apago fotos, nem rasgo cartas
Tudo vira anexo, recorte, arquivo e mais reticências
As vírgulas ainda são uma possibilidade
E mostram o quanto sou flexível a tentativas de complementação
Sei dar espaço para que o ar trasfigure aquilo que eu gostaria de dizer
Tenho engolido muitos desejos, vontades, necessidades
Pode parecer a mesma coisa, mas somente quem sente a gradação das horas vai entender o que digo
Escolhi as reticências na esperança de que apareça uma leitura compatível com as dezenas de mensagens ocultas no meu coração
E agora estou preso a elas
A noite o sono surge com as reticências de um dia que não concluiu as suas metas fundamentais
As que dizem respeito ao amor e as suas prioridades
Sei que não permanecerei muito tempo preso em três pontinhos que me deixam estático
Enquanto estiver nas reticências é sinal que continuo tentando salvar algo
Porém, quando perceber que não existem mais as reticências
É porque eu já consegui matar a história que tanto me deixou preso no tempo e espaço
com um definitivo ponto final.

Poema escrito a partir das palavras de Alessandra Teófilo, depois de uma noite imprescidível para elevar a minha autoestima. Pensamentos escritos ainda com o sabor do vinho tinto suave, do SUSHI e de outras coisas que me fazem tão bem ao paladar e ao espirito.
Ainda existe saudade e muito pouco de dor... Este é o indício de que logo eu estarei livre daquilo que eu queria tanto, mas que não faz nenhuma questão de ser meu.
04 de SETEMBRO de 2010 / 01:05
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CONTO (inacabado)

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Ela havia saído de uma cirurgia complicada, não que a sua rotina fosse diferente... O que aconteceu neste caso em especial, é que entre tantas complicações que ela tinha todos os dias, algumas se tornavam mais crônicas quando envolviam as pessoas que ela amava.
Naquela madrugada havia operado a própria mãe, mas sem tanto êxito. Desta vez a notícia de morte não precisaria ser dada a terceiros, quando chegasse a hora, em silêncio ela remediaria a sua própria dor. A confirmação da metástase era dura até para uma profissional tão vivida, que já viu o câncer levar tantas pessoas esperançosas embora.
-Nenhum ser humano merece morrer... Na verdade nenhum ser humano deveria saber que não existe mais salvação.
Essa crença que a levou até a faculdade de medicina a motivava na luta pela possibilidade de prolongar um pouco mais a permanência das pessoas em vida. O problema era a percepção de que ela era uma exceção na sociedade, e que infelizmente, existem por aí tumores que são descobertos, assim, de repente. E a constatação disso pode mudar tudo.
Enquanto fazia o trajeto para casa, tinha a cabeça tomada por estas e outras elocubrações filosóficas sobre a existência. O que ia totalmente de encontro à ciência que ditava as suas horas.
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Assim nascem os psicopatas?

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Quando um dia parece ideal para morrer
Alguma coisa está completa ou extremamente errada
Não sei se essa é uma carta de homicídio, suicídio ou duplo assassinato
Estou com uma arma na mão sem saber o que desejo de fato executar
A questão mais complexa não é atirar ou não
Isso é apenas o fim... O pior está no começo de tudo...
Quem paga generosidade com desprezo deve morrer
Quem zomba da entrega dos outros não pode voltar a sorrir
Será que assim nascem os psicopatas?
De tanto jogarem amor sem retorno?
O vazio vai ficando cada vez mais infértil...
Tudo vai ficando oco, louco, pouco e nada?
Eu tenho precisado de filmes, cinema, catarse
Algo que confronte fantasia e aguce a realidade latente
Eu tenho dor, eu sofro, eu não grito
Eu quero ferir, machucar, sangrar...
E se eu eliminasse todos aqueles a quem você lança a culpa?
Teria agora alguma desculpa para não tentar?
Eu acordo eu durmo aflito sem nada mais servir como consolação
Por isso hoje essa arma chega às minhas mãos como o melhor conselho
Não sei bem ao certo se essa é uma carta
Nem se sou eu um psicopata criado pelo vazio
O certo é que alguém precisa morrer...

Poema escrito com frieza e calculismo, um súbito de sanidade ou loucura... Quem sabe com a junção perfeita das duas coisas. Ainda existem a dor e a saudade, a última ainda mais forte do que a primeira...
02 de SETEMBRO de 2010 - 11:27
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terça-feira, 31 de agosto de 2010

AINDA EM ESPERA...

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Aqui estou eu a pensar novamente em ti...
Imaginando onde estará agora
Querendo descobrir se em algum instante deste dia fiz parte do teu pensamento
Aqui venho mais uma vez vomitar memórias
que te afastem cada vez mais dos meus desejos
E te tragam do fundo para a superfície
Tornando-se mais fácil de abandoná-lo em algum lugar que eu nunca mais encontre
Pelo visto eu vou continuar no cativeiro
E aqui serei esquecido...
Se bem que ouvir a sua voz hoje afastou um pouco de mim o medo
É impressionante como uma simples ação é capaz de modificar os sentimentos mais pesados
Mais ainda assim continuo a acreditar nas suas promessas
E mais uma vez espero em vão...
Aqui onde estou é frio e solitário
É escuro e enlouquecedor...
Eu passo os as horas de olhos vendados, me enganando com coisas que possam alimentar a minha autoestima
Tudo para esquecer que espero ansioso o telefonema
A ligação que pode acabar ou ao menos amenizar esta tormenta que tanto me agonia

Poema escrito depois de ouvir a sua voz ao telefone, agora parece que recebi uma massagem suave no coração... Mas ainda deixou-me em espera, o que não acalenta e sim impacienta ainda mais a minha noite.
31 de Agosto de 2010 / 22:58
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LUA ANDA COMIGO - LUANDA

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A Lua Anda comigo e me aconselha
A Lua Anda e sabe exatamente a dor que sinto
acompanhou todas a buscas sinceras que fiz
A Lua Anda e me ouve em desabafos
A Lua Anda junto a mim para que a noite seja segura
Essa Lua que Anda comigo ás vezes é nova como as mais ingênuas aparições
Às vezes mingua em desejos que não compreende tão bem
Essa Lua não fica parada nunca... É crescente... Ascendente
Ultimamente esta Lua Anda comigo e a vejo cheia, bela, mulher
Uma companhia essencial para lunáticos como eu
que ainda acreditam que amar é uma questão de disponibilidade
A Lua Anda comigo, dança comigo, bebe comigo, vê, sente e ouve-me como amigo
A Lua Anda para não me deixar sozinho
E embarca nos meus devaneios
E se entrega aos percursos tortuosos que faço para chegar em lugares incertos
Oh! LUa que ANDA comigo e cativa os olhos e a cobiça de homens e mulheres
És a mais fiel companhia descoberta
Os sons percussivos são a trilha sonora da sua força e grandeza ainda em metamorfose
Lua cheia, lua nova, lua minguante, lua crescente, lua amiga...
LUa ANDA comigo e disso eu nunca esquecerei...

Poema escrito em meio a muita turbulência sentimental(dor, saudade, saudade, saudade, receio, dor, fome,cansaço) porém, com a sinceridade de quem confirma que amigos são poucos, mas eles não se fazem de uma hora para outra, nem com as experiências mais banais da vida.
31 de Agosto de 2010 ás 10:04 da manhã
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PEDIDO DE RESGATE

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Escrevo agora um pedido de regate
Hoje estou refém da dor e das minhas frustrações
Esperando um telefonema que possa me devolver a liberdade
Sei que é duro lutar pela vida de outros, mas estou a mercê da sua força de vontade
Os algozes da minha alma só aceitam negociar contigo
Se depender apenas de mim e da minha capacidade de lutar
Não vai restar nada...
Todas as minhas tentativas fracassaram e com elas foram a minha força
Se você diz que gosta um pouco que seja de mim
E não mentiu quando falou em construir uma nova condição para nós
Lute então pela minha vida... Eu não tenho mais condição de tentar nada sozinho
Estou completamente em suas mãos
Rendido e fraco diante de toda a violência que sofri
Há dias não como, não me interesso por nada
Não sei nem ao certo se seria melhor que me deixassem aqui para sempre
Esquecido de tudo... Esquecido daquilo que fui um dia
Entendo que há muito você não luta por nada
Não dá valor ao amor que nasce dos outros
Mas eu não tenho culpa de ser refém e a minha única salvação possível depende das suas escolhas
Olhe para trás... Rememore o que foi construído em tão pouco tempo
Aquilo que partilhamos... Veja se algo pode mexer nem que seja um pouco com as suas emoções
O seu silêncio e distância podem ser determinantes no fim de tudo
E nada mais vai existir que possa ser transfigurado
Este é um pedido de resgate...
Uma súplica que o meu coração faz para que algo ainda possa existir

Poema escrito com dor, angústia, saudade extrema e fome (sem vontade de ser saciada)...
31 de Agosto de 2010 - 09:35 de manhã
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