quinta-feira, 9 de junho de 2011

UMA PROFECIA DE AMOR

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Eu não queria escrever apenas uma carta de amor


Quero para além disso escrever uma profecia de vida


Que inclui uma infinidade de premissas aparentemente tão rejeitadas no mundo


Acima de tudo expor a oferta mais despretensiosa do meu coração


Não há um dia desde que te encontrei que não pense sobre encontros


Mas não sobre qualquer um, e sim, a respeito desses que são prolongados e agridoces


Com o sabor e a textura ideais para se ter equilíbrios


Desses que são mergulhos predestinados na camada mais líquida dos nossos destinos


Prefiro não me prender na efemeridade de uma carta de amor


Mas fixar-me num tratado de manutenção de tudo o que sinto e desejo ao seu lado


Continuo a escrita da minha profecia, determinando a construção de uma terceira vida onde caibam dois


Um vida que não seja nem tão minha e tão pouco toda sua...


Mas que seja um pedaço de cada um de nós...


Um pouco desse muito que nos completa


Das coisas mais interessantes que possuímos


E que compõem a nossa natureza e imprescindível essência


Não quero tão somente as tuas virtudes, pois, aprendo mais em contato com aquilo que estranho


Quero não a perpetuação, que é condição imutável do tempo


Mas a transfiguração, que é condição nômade da beleza


Quero que os dias sejam como uma caixa de sonhos


Onde depositemos com verdade e perseverança os ideais de partilha, amizade, romantismo, lealdade, entrega, resistência, respeito, superação...


Sejamos precursores de um amor apaixonado que nunca perde a força


Onde a dimensão de tudo seja sempre a maior


Que a intensidade seja a saúde no excesso


Nunca permitindo que a ausência nos adoeça o cotidiano


Quero construir contigo um reino onde a tolerância realmente seja uma dádiva


E a violência não seja, nada além, do que um passo à frente para novos campos ainda inexplorados


Não vou pedir que os nossos olhos deixem de ser chama


Pois onde há fogo, o calor aquece a vida


Almejo apenas que por detrás das nossas retinas haja sempre a consciência do outro que há em nós


E que olhar seja sempre uma forma de rebater a nossa consciência


E todos os nossos atos, mesmo os mais silenciosos e "invisíveis" estejam encobertos por muito cuidado


Quero perder a noção do tempo, pois contabilizá-lo é indício de não valer apena


Quando chegarmos longe, que desejemos ir mais longe ainda


E se o fim nos surpreender, seja ele uma perspectiva do "para sempre" ou do "até logo"


Que não nos reste a menor sensação de tempo jogado fora


Nessa aspiração de futuro que agora escrevo


Deixo também o registro de uma vontade maior do que eu


A de escrever novos pensamentos sobre você todos os dias


E mesmo que por vezes se assemelhem a lamentos e lamúrias


Sejam sempre movidos pela presença real de um profundo sentimento


Que cada vez mais não caberá dentro do significado da palavra amor


E será preciso que eu firme parceirias com o universo na construção de novos nomes a todo instante


Outras denominações para contemplar o que seja amar você dia após dia...


É a minha inquietação em ser sempre mais que me faz dizer:


Não quero me contentar com a passageira mensagem de uma carta de amor


Tantas vezes já destinadas a tantos outros amores


Para ti, meu amor "presente"... Minha imperfeição mais ideal...Pássaro dos sonhos que ainda não entende o seu domínio sobre o meu céu... Minha viagem sem desejo de regresso... Meu sabonete no espelho... Minha poesia renovada em prosa...


Com você eu quero a profecia de um amor que prolongue todas as estradas e e nos faça ,um para o outro, sempre realidade.


......................................................................................................................................................................


Bem aventurados os que morrem de amor pois esses já conheceram todos os caminhos que conduzem aos céus.


Ewertton Nunes




FELIZ DIA DOS NAMORADOS!




AMO MUITO VOCÊ!
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

SONHOS BRANCOS

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Esta noite sonhei com caixões brancos... Eram três




Os resgatava em meio ao mar...




Os rostos eu não consigo lembrar




Só lembro que estavam vivos e eu os reconhecia




Ao menos quando estava dormindo...






Acordado desapareceu a certeza, o que eu sonhei era agora uma vaga lembrança






Mas fiquei com a sensação de que algo puro iria morrer ou já teria fenecido






Não entendo de sonhos e significados






Mas esse me parece um prenúncio de que a vida (mar) pode prender para sempre o que eu ainda considero bom para a minha vida.






Alguns sonhos lembro até hoje e todos de certa forma possuem uma relação com a pureza






Como naquele que eu estava pendurado ao centro de uma sala amarrado pelos pés






Eu estava vestido de branco.






Era noite, em uma praia. Eu quase posso sentir a sensação do vento






Nos quatro cantos da sala velas, tembém brancas, apagadas






Eu ali de cabeça para baixo, com uma bacia cheia de água abaixo de mim






Em volta uma moça trajando branco me olhava com carinho






Em um dado momento do sonho eu chorei e as minhas lágrimas cairam numa bacia






Imediatamente todas as velas se acenderam e ela feliz disse:






- Eu não disse que ele era de São Valentim.






Foi a primeira vez que ouvi falar nesse Santo.






Dias depois vi na televisão que se tratava do santo dos Enamorados em alguns países.









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sábado, 4 de junho de 2011

A RAINHA DO PALÁCIO DE ESPELHOS

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Hoje olho para este espelho e sinto saudades da minha última visita à cidade dos sonhos




A que realizei montado em cavalos alados




Desta vez o pássaro dos sonhos tinha se transfigurado em pégasus galopantes




Pois havia muita urgência, e era preciso a transfiguração mais veloz da beleza para que a viagem durasse o tempo de um piscar de olhos




Apesar da grande fugacidade das imagens que não chegavam a se completar perante meus olhos de "menino-gente", era possível ver que em nuvens os pégasus pisavam com uma suavidade aparentemente impossível




Havia muita urgência no bater daquelas asas




Ainda que tão alvas como o mais belo amanhecer, eu conseguia ver a ansiedade ritimando o cavalgar daquelas lindas projeções do grande pássaro dos sonhos




Dividido em tantos para mostrar a grandeza de ser um em muitos




Enfim... Quando finalmente as imagens começaram a desacelerar




Eu percebi que estava me aproximando de uma linda ilha de espelhos




O mais belo era o contraste do mangue, ele a cercava por todos os lados




E era rodeada por grandes caranguejos




De tamanhos tão assustadores como nunca antes vira na vida




Eu pude ver como agora o meu reflexo pousar




O grande pássaro dos sonhos voltara a sua condição anterior




E me escoltava para o centro daquele quadrado de espelho, aparentemente sem razão.




- Qual o sentido desse espelho no meio do mangue?




- A beleza não precisa fazer sentido... Você não percebe que dessa forma o céu se aproxima um pouco do chão?




- Verdade. Mas é injusto que o mangue também não seja refletido lá em cima, afinal a beleza dele é menos aceita, e talvez fosse possível vê-lo refletido em alguma nuvem, respeitaríamos mais a sua razão de ser.




- A sua sabedoria e capacidade de ver a real natureza das coisas é que te faz meceredor das cidade dos sonhos.




- Não sou sábio... Não vejo a razão desta ilha. Por que estamos aqui?




- Você já viu... apenas não enxergou... Olhe para baixo. O que está vendo?




- Nós dois refletidos no espelho.




- Olhe além de nós, deixe de se enxergar e encontrará o sentido de ser reflexo.




Naquele instante eu percebi que enxergar além de nós é algo que ao primeiro olhar é impossível, mas basta um pouco de generosidade e um mundo inteiro se constrói em nossa frente. E foi assim, de repente a minha imagem desapareceu no espelho e um grande palácio de espelhos emergiu erguendo a ilha. A transfiguração durou apenas o tempo do meu espasmo de surpresa... Rapidamente um reino inteiramente feito de espelhos cobriu o mangue, cercado por muros brancos, tão grandes que seria impossível qualquer criatura viva entrar sem autorização.




Um papagaio de um verde intenso, rompe a imensidão branca arquitetada à nossa frente e se torna a segregante imagem da paisagem. Estendi o braço e ele pousou.




- A rainha espera ansiosamente por vocês.




Fomos conduzidos para dentro do palácio, o palácio que já era grande se ampliava ainda mais com os espelhos. Passamos por várias salas até finalmente sermos colocados diante da rainha. Tratava-se de uma senhora de olhar intrigante, não era possível olhar neles sem que me visse. Seus olhos eram também de espelho. Por isso tornava-se difícil olhar profundamente naquela rainha.






- Você é o menino-gente com olhos de poema, responsável por grandes transformações na cidade dos sonhos?



- Eu não penso ser responsável por nada.



- É na falta de pretensão que está o segredo da mudança... Quando menos pensamos afetar as coisas, mais as atingimos intensamente.



- Eu creio, majestade, que não possua nenhum poder para tanto, talvez uma rainha como a senhora possa ter dimensão do que causa, mas eu... Eu não sou nada.



- Esse é o maior equívoco... É preciso que se inverta o olhar para que se enxergue o verdadeiro poder. O que são os espelhos senão uma forma de se enxergar o poder?



- É por isso que tem tanto espelhos? Para se sentir poderosa?



- Os meus espelhos não servem para mim... Veja os meus olhos, o que eles refletem?



- A minha imagem.



- Pois bem... Como poderia eu enxergar a mim, se os meus olhos servem para que a imagem dos outros exista?



- Então não consegue se enxergar Rainha...



- Liah...



- Ilha... Até o seu nome é uma inversão da palavra "Ilha".



- O que quer dizer com isso?



- Liah é ilha de forma desordenada não é?



- É.



- Algo me diz que o seu nome não é a única coisa desordenada para parecer outra coisa por aqui.



- Se eu pudesse refletir os seus pensamentos agora, certamente leria uma porção de coisas que sempre hesitei ler.



- Mas um dia é preciso refletir a verdade. E é contraditório que uma Rainha de um Palácio de Espelhos tenha medo da verdade. A verdade não combina com espelhos.



- Prossiga.



- Não vejo razão em se morar em uma ilha de espelhos... Não consigo entender qual o sentido de ser ilha, habitar um mundo branco quando se pode ter conexão com tantas coisas coloridas. Posso fazer uma pergunta?



- Não tenho como impedir a voz sincera do teu coração.



- Foi por solidão?



- Difícil responder se a solidão é a construtora dos nossos palácios quando nunca se teve outra condição adversa na vida. Sei apenas que essas paredes multiplicam a menor presença que exista, os meus objetos viram muitos outros objetos e eu sinto como se houvesse companhia.



- E quando foi que inverteu os seus olhos, empurrando para dentro a parte mais sensível e trazendo para forma essa proteção que não permite com que se enxergue?



- É... Realmente você é a excessão necessária a qualquer mundo. Eu não sei... Talvez tenha sido alguma dor dessas que uma vez é o suficiente para que corrijamos a vida toda. Pode ver que não tenho muitas respostas para o que sou... Mas começo a entender que os meus espelhos refletem muito mais do que as aparências que tanto tentei usar como proteção.



- Você não precisa refletir nada que não seja espiritual... Traga o reflexo da sua alma para fora e as pessoas serão espelho dela. É preciso fazer uma inversão nas letras do seu nome, dos seus sentimentos, da suas motivações, para que a felicidade seja a sua imagem rebatida.






Neste instante eu vi que havia realmente feito uma transformação, a rainha estava certa quando disse que tocar não é uma questão de desejo... Os olhos de espelho da rainha se voltaram para dentro e eu podia ver a sua alma... Finalmente o seu poder ofuscava todos os espelhos, que pararam de refletir o material. Agora a Rainha aparecera quebrando qualquer imagem sem propósito.



Eu voltava para casa feliz... A compreensão daquilo que eu projeto diante do espelho se tornou muito mais clara para mim.



























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quarta-feira, 1 de junho de 2011

SEM NEXO... SEM SEXO

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Qual a pretensão de Deus quando aprisiona almas em corpos sem capacidade?
Quando se descobre um erro de fabricação dos céus a quem temos que reclamar?
Mas seria mesmo erro ou provocação?
Seria Deus então um grande agitador das imcompreensões?
Deus repartiu os sexos e fez o homem e a mulher
Tanto potencial só alcançou duas imagens?
Em que momento Deus desistiu de pensar e transferiu essa função para nós?
Só não imaginava Ele que o nosso pensamento não perdoa nada que seja diferente
Não, não creio que Deus tenha feito nada sem razão
Logo Ele que parece ser tão inquieto...
Tanto que experimentou inverter em alguns a ordem de tudo
Colocando almas em recipientes incompatíveis com as convenções
Fez isso sabendo que os olhos por Ele criados não tinham a evolução necessária para respeitar isso
Outra possibilidade nunca descartada, é a falta de criatividades para criar um terceiro sexo
Um que pudesse atender à complexidade de se carregar diferentes coisas em um só espaço de carne
Talvez o grande desafio de ser gente seja exatamente isso
Nunca haver certezas para nenhuma das maiores dúvidas que possuímos
Há uns Deus ofertou um corpo lógico
Outros herdaram a alma ilógica aprisionada em uma lógica física que não as contempla
Será então o Deus "imagem e semelhança" um ser ilógico como as suas criaturas?
Um Deus invisível como o terceiro sexo que vive escondido em carcaças desconexas?
Procuraria ele também, verdades que não conhece?
Chego a especular que o motivo para Deus nunca aparecer em carne para os homens
Seja a vergonha de ter errado tanto na fabricação
Afinal para enxergar e respeitar Deus, sendo ele tantas coisas, um ser tão híbrido e mutante...
O homem por ele criado tinha que ser totalmente refeito
E seria preciso destruir novamente toda uma produção para recomeçar
Haja paciência e investimento em uma obra que pode fracassar novamente
Uma vez que a evolução torna tudo devasado e inútil inclusive Deus...
Há muita falta de sentido em ser humano
Havia então sentido em ser Deus?
Deus sendo o mesmo que os homens seria então o quê?
Quantas possibilidades de corpos e almas existe para um único ser invisível?
O mais incoerente de todas as incoerências é que o homem diz que enxerga Deus
Mas não consegue ver com generosidade as almas presas em corpos reais
Por isso Deus será sempre uma irrealidade que ninguém verá
Agora entendo o termo "aceitar" a Deus
Deus colocou alguns experimentos aqui na Terra para treinar o homem
Mas "aceitar" parece não ser uma palavra que faça sentido
Logo Deus permanecerá como uma utopia de "aceitação"
Quanta possibilidade há em ser Deus
Quanta limitação há em ser homem
Mas tanto Deus quanto os homens estão à mercê de realidades
Ainda que a realidade seja incompatível com a natureza verdadeira dos homens
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sábado, 28 de maio de 2011

UMA COISA VIRA OUTRA...

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Em contato tudo deixa de ser



E passa a ser outra coisa



A palavra em contato com a mão vira poesia



A poesia quando encontra o violão vira música



A música quando abandona a melodia vira poema


O artista em contato com a plateia é espetáculo


O homem quando pinta o rosto se torna palhaço


O movimento quando abraça o som é dança


O sorriso quando encontra reciprocidade é criança


O mar em contato com os olhos é lágrima


E a lágrima tocando o mar é gota


Deus tocando o coração é esperança


E a esperança chegando de manhã é mansa


Os pés pisando o céu é amor


E o amor pisando a realidade é dor


O acaso soprando a paixão é encontro


Encontros empurrados pelo inesperado é espanto


A lua em contato com o olhar é magia


O sol em contato com a pele euforia


Uma boca quando toca a outra é beijo


Dois amantes com vontade é desejo


Uma mão quando tateia a alma é carícia


A língua saboreando o chocolate delícia


A vida quando encontra o fim é morte


E a morte quando encontra o homem é sorte


O teatro em parceria com a realidade é pesadelo


O pesadelo invadindo o sonho desmantelo


O pensamento tocando o papel é literatura


Um corpo tocando outro é uma boa aventura


Os dias dançando com a paz é felicidade


A procura intermediando tudo é reciprocidade


No encontro com outra coisa


Dois corpos viram um só


A intimidade passa de individual a coletiva


E tudo o que era solitário


Deixa de ser um caminho só para se transformar em dois


E isolamento passa a libertação


Aprisionamento a redenção


De calmaria a arrebentação


Dois passa a ser um e um deixa de ser

Em contato com outra coisa


A tristeza vira alegria


No toque com a verdade das coisas...


Tudo o que antes não era agora passa a existir.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

A INCOMPREENSÍVEL FELICIDADE DE UM POETA

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Que falta de entendimento há sobre a felicidade de um poeta
Escrever pesares é uma forma de se ter pedaços de alegria cobertos com outras camadas
Aquele que reflete sobre o amor ama mais...
E sente-se feliz quando a dor se torna uma forma de desabafo
Felicidade não são linhas no rosto
São pulsações indecifráveis numa camada inferior da pele
Sou êxtase despejando impurezas que não podem contaminar os sentimentos mais brancos que tenho
Esses que são tantas outras formas que a felicidade sintetiza em si
Para não ter que dar demasiadas explicações
Sentir me traz felicidade ainda que corram lágrimas


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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Silêncio... Paz ou Guerra?

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Onde está a sabedoria?


Está em saber silenciosamente o que há no silêncio dos outros?

Por sermos conhecedores das necessidades mudas comuns a todos os homens?

Em apenas omitir o que sabemos não nos enganar?

Ou deixar sairem os demônios das coisas reveladas em silêncio?

Mais tranquilo seria, então, sempre seguir sem que nunca saibam que sabemos tanto?

Se bem soubessemos teríamos medo de ficar a sós... De cometer desrespeitos à sentimentos ausentes, achando que estamos anônimos no nosso delito.

Afinal, um roubo feito em silêncio deixa de inexistir?

Ainda que o ladrão pense estar sozinho e carregue consigo a sensação de vitória

Ele foi visto por si... Seus atos nunca estarão livres da condenação

O crime deixa de ser menos crime quando ele não é consumado?

A premeditação é um crime ainda mais grave?

Quando premeditação e crime acontecem em silêncio deveriam agregar à pena uma carga ainda maior

Pois muitas pessoas que acreditam na verdade e se entregam de olhos fechados, estão sendo lesadas de forma muda pela covarde condição humana

Essa que não respeita a ausência de nada e não sabe preservar pactos sinceros de moral e de lealdade.

Então...

Para viver em paz temos que abrir mão da guerra, através da anulação do que nos chega como verdade?


Ou seria preciso buscar a paz no confronto daquilo que sabemos e não deveria calar?


Abstrações? Talvez...




Tudo é enfim uma abstração, até a realidade.



Sem abstrair, o acúmulo nos levaria a atos hediondos

Eu só sei que tenho pensado muito sobre o silêncio... E a dissimulação do silêncio

Necessário? Imprescindível? Ou seria, talvez, inútil abraçá-lo?

A cabeça sabe verdades que se revestem de silêncio para não retirar a paz conquistada com muito esforço


Diariamente se reconstrói a paz... Essa que é tão frágil e qualquer brisa faz rachar.


Mas até o silêncio precisa de paz, para não ferir com a sua explosão, o que ninguém domina


Um conselho para os que, assim como eu, ainda não sabem qual o melhor destino para as coisas que sabem em silêncio...

Tudo chega a nós... Ainda que pensemos estar num deserto, isolado, onde nem Deus possa ver os nossos pecados...


Ainda assim tudo chega... E tudo se acumula nesse grande baú silencioso de coisas que sabemos


Nenhum segredo está seguro, ainda que num mundo de virtualidades

Não há crime que fique sem punições... A vida é feita de perdas e privações que muitas vezes não entendemos porque a merecemos...

Não entendemos porque não contabilizamos como crimes o que fazemos a "sós"

Logo todas as traições serão reveladas, as maldades surgirão como milagres, os fétidos desejos carnais terão os lençóis puxados, independente da dimensão em que imaginemos ocultá-las

O silêncio é uma camada que reveste o sensível de nós

E quem o domina, nunca se deixará enganar...

Pensa que nos engana o enganador...

Os nossos olhos é que estão em sigilo... Numa invisibilidade que não saberão localizar

E nada haverá preso no "sigilo" da intimidade que eles não possam revelar.

Nunca estamos a sós no silêncio...
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