quarta-feira, 1 de junho de 2011

SEM NEXO... SEM SEXO

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Qual a pretensão de Deus quando aprisiona almas em corpos sem capacidade?
Quando se descobre um erro de fabricação dos céus a quem temos que reclamar?
Mas seria mesmo erro ou provocação?
Seria Deus então um grande agitador das imcompreensões?
Deus repartiu os sexos e fez o homem e a mulher
Tanto potencial só alcançou duas imagens?
Em que momento Deus desistiu de pensar e transferiu essa função para nós?
Só não imaginava Ele que o nosso pensamento não perdoa nada que seja diferente
Não, não creio que Deus tenha feito nada sem razão
Logo Ele que parece ser tão inquieto...
Tanto que experimentou inverter em alguns a ordem de tudo
Colocando almas em recipientes incompatíveis com as convenções
Fez isso sabendo que os olhos por Ele criados não tinham a evolução necessária para respeitar isso
Outra possibilidade nunca descartada, é a falta de criatividades para criar um terceiro sexo
Um que pudesse atender à complexidade de se carregar diferentes coisas em um só espaço de carne
Talvez o grande desafio de ser gente seja exatamente isso
Nunca haver certezas para nenhuma das maiores dúvidas que possuímos
Há uns Deus ofertou um corpo lógico
Outros herdaram a alma ilógica aprisionada em uma lógica física que não as contempla
Será então o Deus "imagem e semelhança" um ser ilógico como as suas criaturas?
Um Deus invisível como o terceiro sexo que vive escondido em carcaças desconexas?
Procuraria ele também, verdades que não conhece?
Chego a especular que o motivo para Deus nunca aparecer em carne para os homens
Seja a vergonha de ter errado tanto na fabricação
Afinal para enxergar e respeitar Deus, sendo ele tantas coisas, um ser tão híbrido e mutante...
O homem por ele criado tinha que ser totalmente refeito
E seria preciso destruir novamente toda uma produção para recomeçar
Haja paciência e investimento em uma obra que pode fracassar novamente
Uma vez que a evolução torna tudo devasado e inútil inclusive Deus...
Há muita falta de sentido em ser humano
Havia então sentido em ser Deus?
Deus sendo o mesmo que os homens seria então o quê?
Quantas possibilidades de corpos e almas existe para um único ser invisível?
O mais incoerente de todas as incoerências é que o homem diz que enxerga Deus
Mas não consegue ver com generosidade as almas presas em corpos reais
Por isso Deus será sempre uma irrealidade que ninguém verá
Agora entendo o termo "aceitar" a Deus
Deus colocou alguns experimentos aqui na Terra para treinar o homem
Mas "aceitar" parece não ser uma palavra que faça sentido
Logo Deus permanecerá como uma utopia de "aceitação"
Quanta possibilidade há em ser Deus
Quanta limitação há em ser homem
Mas tanto Deus quanto os homens estão à mercê de realidades
Ainda que a realidade seja incompatível com a natureza verdadeira dos homens
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sábado, 28 de maio de 2011

UMA COISA VIRA OUTRA...

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Em contato tudo deixa de ser



E passa a ser outra coisa



A palavra em contato com a mão vira poesia



A poesia quando encontra o violão vira música



A música quando abandona a melodia vira poema


O artista em contato com a plateia é espetáculo


O homem quando pinta o rosto se torna palhaço


O movimento quando abraça o som é dança


O sorriso quando encontra reciprocidade é criança


O mar em contato com os olhos é lágrima


E a lágrima tocando o mar é gota


Deus tocando o coração é esperança


E a esperança chegando de manhã é mansa


Os pés pisando o céu é amor


E o amor pisando a realidade é dor


O acaso soprando a paixão é encontro


Encontros empurrados pelo inesperado é espanto


A lua em contato com o olhar é magia


O sol em contato com a pele euforia


Uma boca quando toca a outra é beijo


Dois amantes com vontade é desejo


Uma mão quando tateia a alma é carícia


A língua saboreando o chocolate delícia


A vida quando encontra o fim é morte


E a morte quando encontra o homem é sorte


O teatro em parceria com a realidade é pesadelo


O pesadelo invadindo o sonho desmantelo


O pensamento tocando o papel é literatura


Um corpo tocando outro é uma boa aventura


Os dias dançando com a paz é felicidade


A procura intermediando tudo é reciprocidade


No encontro com outra coisa


Dois corpos viram um só


A intimidade passa de individual a coletiva


E tudo o que era solitário


Deixa de ser um caminho só para se transformar em dois


E isolamento passa a libertação


Aprisionamento a redenção


De calmaria a arrebentação


Dois passa a ser um e um deixa de ser

Em contato com outra coisa


A tristeza vira alegria


No toque com a verdade das coisas...


Tudo o que antes não era agora passa a existir.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

A INCOMPREENSÍVEL FELICIDADE DE UM POETA

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Que falta de entendimento há sobre a felicidade de um poeta
Escrever pesares é uma forma de se ter pedaços de alegria cobertos com outras camadas
Aquele que reflete sobre o amor ama mais...
E sente-se feliz quando a dor se torna uma forma de desabafo
Felicidade não são linhas no rosto
São pulsações indecifráveis numa camada inferior da pele
Sou êxtase despejando impurezas que não podem contaminar os sentimentos mais brancos que tenho
Esses que são tantas outras formas que a felicidade sintetiza em si
Para não ter que dar demasiadas explicações
Sentir me traz felicidade ainda que corram lágrimas


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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Silêncio... Paz ou Guerra?

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Onde está a sabedoria?


Está em saber silenciosamente o que há no silêncio dos outros?

Por sermos conhecedores das necessidades mudas comuns a todos os homens?

Em apenas omitir o que sabemos não nos enganar?

Ou deixar sairem os demônios das coisas reveladas em silêncio?

Mais tranquilo seria, então, sempre seguir sem que nunca saibam que sabemos tanto?

Se bem soubessemos teríamos medo de ficar a sós... De cometer desrespeitos à sentimentos ausentes, achando que estamos anônimos no nosso delito.

Afinal, um roubo feito em silêncio deixa de inexistir?

Ainda que o ladrão pense estar sozinho e carregue consigo a sensação de vitória

Ele foi visto por si... Seus atos nunca estarão livres da condenação

O crime deixa de ser menos crime quando ele não é consumado?

A premeditação é um crime ainda mais grave?

Quando premeditação e crime acontecem em silêncio deveriam agregar à pena uma carga ainda maior

Pois muitas pessoas que acreditam na verdade e se entregam de olhos fechados, estão sendo lesadas de forma muda pela covarde condição humana

Essa que não respeita a ausência de nada e não sabe preservar pactos sinceros de moral e de lealdade.

Então...

Para viver em paz temos que abrir mão da guerra, através da anulação do que nos chega como verdade?


Ou seria preciso buscar a paz no confronto daquilo que sabemos e não deveria calar?


Abstrações? Talvez...




Tudo é enfim uma abstração, até a realidade.



Sem abstrair, o acúmulo nos levaria a atos hediondos

Eu só sei que tenho pensado muito sobre o silêncio... E a dissimulação do silêncio

Necessário? Imprescindível? Ou seria, talvez, inútil abraçá-lo?

A cabeça sabe verdades que se revestem de silêncio para não retirar a paz conquistada com muito esforço


Diariamente se reconstrói a paz... Essa que é tão frágil e qualquer brisa faz rachar.


Mas até o silêncio precisa de paz, para não ferir com a sua explosão, o que ninguém domina


Um conselho para os que, assim como eu, ainda não sabem qual o melhor destino para as coisas que sabem em silêncio...

Tudo chega a nós... Ainda que pensemos estar num deserto, isolado, onde nem Deus possa ver os nossos pecados...


Ainda assim tudo chega... E tudo se acumula nesse grande baú silencioso de coisas que sabemos


Nenhum segredo está seguro, ainda que num mundo de virtualidades

Não há crime que fique sem punições... A vida é feita de perdas e privações que muitas vezes não entendemos porque a merecemos...

Não entendemos porque não contabilizamos como crimes o que fazemos a "sós"

Logo todas as traições serão reveladas, as maldades surgirão como milagres, os fétidos desejos carnais terão os lençóis puxados, independente da dimensão em que imaginemos ocultá-las

O silêncio é uma camada que reveste o sensível de nós

E quem o domina, nunca se deixará enganar...

Pensa que nos engana o enganador...

Os nossos olhos é que estão em sigilo... Numa invisibilidade que não saberão localizar

E nada haverá preso no "sigilo" da intimidade que eles não possam revelar.

Nunca estamos a sós no silêncio...
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sexta-feira, 13 de maio de 2011

AS NOSSAS PAIXÕES NÃO CALAM!

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Escuta...
Tudo o que falo agora, talvez, não seja tão compreensível
Porque falo dentro de mim
Não sei como costumam escutar os sons que estão em outras cabeças
Talvez vocês nem cheguem a saber que eu pensava em voz alta aqui dentro neste momento



Neste momento não, porque este tempo que escrevo já passou
E o tempo que vocês escutam o que digo é outro
Ou talvez nem cheguem a estas transposições dos meus devaneios
porque eu posso ter morrido pedalando apressado


Na tentativa de encontrar um lugar seguro para guardar os meus pensamento
Mas se vocês estiverem me acompanhando agora
é porque ainda não morri...

Ao menos no sentido literal
Pois de tempos em tempos se morre para ratificar a vida
Para saber que ainda se vive


O que era mesmo que eu queria dizer, antes desses primeiros textos se infiltrassem na conversa que eu estava tendo em particular comigo mesmo?
As minhas sandices são tão imprevisíveis, frutíferas em terrenos tão estranhos
Quando a inspiração anda sobre duas rodas é angustiante
Parece que o vento impõe o seu peso sobre nós
E o chão nos agarra com mãos fortes
Ainda mais rijas que os nossos desejos de eternidade


Até as árvores se multiplicam para alongar o caminho
O que antes era prazer cede à vontade louca de se lançar sobre tudo
para encurtar a distância entre o pensamento e o papel
Me perdi de novo da minha primeira necessidade de falar...
Ah, lembrei! É que eu falo tanto por dentro que me perco entre as nuances das palavras
Entre os graves e agudos, os gritos e sussuros


Falo demais... Logo eu que sou averso a "verborragia"
Que para mim é um sangramento desnecessário da palavra
Eu não sei como me suporto... Na verdade eu me tolero
Eu apenas respeito a minha opinião como a de qualquer estranho
Confesso que eu tenho que roer as unhas das minhas ideias todo dia
Para não ferir a minha pele com elas
Seria como se eu precisasse cortar o cabelo, todo dia, para não sufocar com as voltas que ele dá no entorno da minha cabeça


Desculpa... Que loucura é ter inspiração em movimento
Assim também vai saindo a coerência... Apressado segue o raciocínio
Enquanto sigo, travo uma disputa entre a vontade de pensar e de não pensar mais nada
Tudo para não esquecer o que já pensei
Tentando não levar nenhum susto que espante o que acumulo em viagem
Assim vou repetindo com cautela, tentando manter original o primeiro impulso criativo
É difícil pensar na virgindade do pensamento
Seria menos hipócrita pensar na violação diária dele, afinal, todo mundo o violenta
E é violentado por ele o tempo todo.

Uns de forma mais profunda

Outros nem sentem a sua perfuração


Vou repetindo até registrar... Não sei do que vale registrar o que penso
Mas como ainda preservo uma certa generosidade para comigo, cedo à essa vontade incontrolável
A esse vício tão desprezível quanto qualquer outro
Mesmo não sendo nada disso que eu queria dizer no instante em que comecei a falar para dentro, sobre a bicicleta
Na verdade eu só queria dizer:
-Escuta... As nossas paixões não calam... Os nossos pensamentos aprenderam a falar.















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A ALMA TAMBÉM MORRE

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Quem foi que disse que a alma não tem limite?





Onde ficou instituído que o corpo é o único fadado ao fracasso?



Somos um complexo de pequenas capacidades




A nossa alma só consegue ir um pouco além das possibilidades do corpo











Esse pouco parece uma dimensão infinita, apenas uma aparência enganadora




Tão finitos são corpo e alma quanto o tempo da beleza de uma flor





Muitos apertam gatilhos contra a consciência achando que podem impor o fim ao corpo





Querendo encontrar o conforto que a alma inspira





Mas a verdade é que a alma dura somente um pouco mais a morrer... Mas morre




Morre porque o invisível está estigmatizado pelo questionamento, pela dúvida, pelo esquecimento





A escrita talvez seja a única possibilidade de prender o invisível




Sendo ela transbordamento do corpo que a alma guia





E depois que o limite nos apresenta o fim... Ela segue sem sofrimento independente de nós





Sem sofrimento? Não posso garantir





Ao menos ela segue...





Encontrando os seus próprios rumos





Como um abandonado filho, sem pai ou mãe...




Que aprende sozinho o caminho para existir





Nesses tempos onde a alma morre tão cedo




































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quinta-feira, 12 de maio de 2011

O POUCO DE TUDO

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Tenho dois olhos que não dão conta das tantas visões



São tantas as percepções fora que projeto para dentro



E por dentro o que só encontra eco fora de mim



Precisaria de muitos outros olhos para focar



O que em movimento corre apressadamente diante do retina



A íris se espreme no meio dessa rodovia insaciável de fluxo



Que há nas paralelas do meu olhar



Esquilibrando-se numa linha tênue de segurança



Dividindo as vias que de uma lado vão para o exterior



E outra para o interior das minhas sensações mais estranhas



Há muito estranhamento em tudo o que vejo, em tudo o que penso...



E o que sinto por si já é a estranheza "mater" do cotidiano



Se os olhos são essa tal janela que abertos dão acesso à alma



Precisaria eu então de outras almas



Algumas mais para deixar entrar com dignidade o ar e a luz de tudo o que me sopra



Tenho jogado muita coisa fora por falta de espaço



Muitas reflexões são rebatidas...



Às vezes dou com a janela na cara de tantas coisas que me chegam com generosidade



Despretensiosas verdades que só queriam um pequeno desvio de olhar livre dos julgamentos



O nosso destino, enfim, é a conformidade com o pouco que se pode desejar de tudo



Poucos olhos... Pouca alma... Um pouco de tempo e se acaba o pouco de tudo que nos torna muito do nada.






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