quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

MOSAICO

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Então eu não sou eu...
Sou os outros com quem me deitei
Sou aqueles a quem muito amei
E também aqueles que o meu desejo pouco quis
Eu sou um mosaico erguido dos pedaços de amores que vivi
Das decepções que acontecem e nos arrebatam
Das paixões que dão e passam
Eu sei que Todo encontro é partido
Por isso mesmo o recorte descolorido
com o qual o destino com deboche
preenche seu álbum de recordações
Enquanto de lá pra cá somos jogados
Pelos acontecimentos arrebatados
Lançados à sina impotente de ser reféns das nossas tentações
Eu sou as interrogações que me inundam
As respostas que prefiro não obter
É melhor fazer perguntas do que viver mudo neste imundo mundo...
Por isso deixo os dias em silêncio me entorpecer
Crio melodias como um simples aprendiz
fazendo brotar a beleza dolorida
Não sou nada além de um mosaico
Construído a partir dos pedaços
De todos os momentos nos quais fui ou não feliz.
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

DE NADA ME SERVE O PARAÍSO

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De nada me vale ser cristão
Pra quê me serve o paraíso?
Melhor viver sem perdão correndo na contramão
De olhos abertos jogar-me do mais alto edifício
Acreditar no invisível é ser livre e desmedido
É transbordar as páginas de amor
Sem me preocupar com o ridículo
É encontrar a diferença num mundo de iguais
Hoje só pode estar seguro aquele que abre mão de uma falsa paz
Eu prefiro então afrontar o meu maior inimigo
Nenhum santo pode ajudar um homem como eu
Que vê em todos os rostos a maquiagem de uma falsa alegria
Não quero o céu se nele existir a hipocrisia
E uma eternidade falsa, vendida e vazia...
Aqui em baixo das cabeças esvaiu-se o pensamento
Num mundo sem motivo
Anda seguro quem dorme desarmado e atravessa a rua desatento
Quem se entrega ao caos encontra o seu sentido
Nos dias de hoje pra quê me serve ser cristão
De nada me vale o paraíso




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SEM RESPOSTAS

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O que procuro em você?
O que não encontro em mim?
O que foi preciso mudar por dentro?
O olhar? O pensar? O sentir?
Você estava lá o tempo todo
E porque só agora eu te vejo?
E para quê te ver se eu não queria me tornar refém do desejo?
Eu te quero mesmo ou será que inventei o teu querer?
E o medo onde foi parar?
E o receio constante de errar?
Machucar? Não retribuir?
Onde foram parar as respostas?
Esta canção não me diz nada
Para onde nos levarão as escolhas
Qual é a saída? De qual lado estou da estrada?
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CANTO DE SALA

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Ah! Se aquele canto falasse revelaria os encantos teus
E se todo instante ficasse
E aquele canto dissesse o quanto nos amamos a sós...
Nossa! Aquele canto de sala
A parede branca virando lençóis
A silhueta estendida
A nossa imagem na luz rebatida ampliando a combinação
O encaixe do beijo
O sexo perfeito sem pudor ou medida
O suor embaçando o espelho
Você caindo aos meus pés de joelhos
E eu entrando em outra dimensão

Ah! Aquele canto de sala
Um segredo de mala
Que não conto a ninguém
Apenas suspiro calado
O amor resguardado
Que só entende que tem


Em cada canto da casa o aroma criado por nós
Nossos perfumes misturados
Deixando o desejo elevado no ar
O prazer virando essência
Nossos corpos partilhando o cansaço
Debruçados no sofá
Um sentimento imune a qualquer maldade
Que cresce seguro e com paciência
Longe dos olhos sobrevive a verdade
Se existe a privacidade tudo pode ser eterno em existência

Ah! Aquele canto de sala
Um segredo de mala
Que não conto a ninguém
Apenas suspiro calado
O amor resguardado
Que só entende que tem
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

ISA a BELA Princesa dos sonhos

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Na noite passada eu retornei a “Cidade Dos Sonhos”
Não via a hora de subir no “pássaro do meu sono” e sair do meu “Mundo de Gente”
Tinha sido mais um dia desinteressante para olhos como os meus
Que precisam de encantamento para não cegar
Mais ainda bem que a lua sempre chega e nos ajuda a viver de verdade
Não demorou muito depois que toda a casa silenciou...
Quando a consciência ia perdendo a força...
Eu ouvia ao longe o bater das asas do meu tão esperado amigo
Ele se recusa a aparecer se ainda houver algum traço de racionalidade
Nenhuma fantasia habita nos mundo da razão
Ele pousou suavemente no telhado
Tão diferentemente lindo, uma mistura de todas as espécies de aves que existem
Não existe sensação igual a que sinto quando cavalgo no pássaro do meu sono
O vento toca os meus cabelos como o embalar da mão de mãe
Lá de cima dava para ver que a cidade estava em festa
Era possível ouvir que as árvores cantoras anunciavam a chegada de alguém especial
Quem seria?
Distraído com tamanha agitação, desequilibrei e cai do pássaro do meu sono
Eu sentia aquela sensação que nos vem ao peito, quando dormindo, despencamos do alto de uma torre
Eu não sentia medo, pois sei que na “Cidade dos Sonhos” não existe dor
E antes que eu completasse esse pensamento, borboletas de tamanhos e cores que nunca via antes me conduziram suavemente ao chão
Seria tão bom se no mundo de gente ninguém se machucasse... Sei que isso não é possível
A Nina Chocolate estava lá para me receber e me colocou logo a par do que acontecia
A cidade estava exultante pela visita da princesa da Cidade dos Sonhos
Ela nunca antes tinha sido vista por ninguém
O Rei e a Rainha nunca permitiram a sua saída do “Castelo de Lembranças”
Os boatos contam que a princesa seria tão linda que talvez pudesse trazer a inveja para a cidade dos sonhos
Por isso seria melhor deixá-la sempre distante
E assim evitar que os piores sentimentos do mundo chegassem por lá
E por que então ela apareceria agora?
- Ela soube que um “menino gente com olhos de poema” entrou na cidade e queria conhecê-lo, nem os seus pais a fizeram mudar de idéia.
- E quem é esse? Onde está?
- Você é este menino! Ela acredita que o seu olhar pode ser libertador e protegê-la da inveja e de qualquer sentimento pesado que a enxergue
Eu? Olhos de poema? Era por mim que a princesa apareceria pela primeira vez?
A minha cabeça organizava uma pergunta atrás da outra e não encontrava sentido em nenhuma resposta...
Tudo bem a vida não precisa de sentido algum para encontrar a libertação
As nuvens se contorceram gerando uma grande cascata
Navegando por sobre as águas, num barco todo enfeitado com estrelas, a princesa se aproximava
Nos olhos dos moradores da cidade dos sonhos o deslumbramento
Talvez os boatos fizessem mesmo sentido... Era impossível não ser afetado pela sua beleza
Toda a água foi evaporando e voltando para as nuvens
A princesa flutuou até mim e abriu o sorriso
Neste momento o sol envergonhado precisou esconder-se atrás da montanha
Todos tiveram que proteger os olhos, pois, o brilho incomodava muito a olhos despreparados
Eu fui o único que não foi afetado com a luz extasiante que vinha daquele sorriso
Eu sentia vontade de todos pudesses vê-lo e não fossem ofuscados com a sua energia luminosa
Isa a Bela era o nome da alteza... Isa a Bela princesa dos sonhos
Falou-me com voz doce, condizente ao seu sorriso. Olhava-me com o aconchego de um abraço:
-Eu soube que você gosta da nossa cidade, que possui o olhar tão puro quanto o mais simples poema... Eu pensei que o “mundo de gente” não aceitasse olhos assim... Também soube que ensina com sabedoria as coisas do seu mundo. O que você diria para uma princesa que precisa ser livre do jeito que é, mas pode atrair os piores sentimentos do mundo por conta das suas virtudes?
Quem era eu para dizer qualquer coisa a uma realeza? Isa a Bela Princesa não tinha culpa de ter nascido com tantas qualidades.
Eu disse:
- Você não precisa esconder quem é nem o que possui por causa dos olhos dos outros seres. Apenas seja exatamente como assim... As nossas qualidades são os defeitos que nunca conseguiremos anular. Você é feita de luz e precisa iluminar. E caso cheguem os piores sentimentos do mundo, o que não faltarão são companheiros para enfrentá-los com você.
A princesa ficou muito agradecida pelo que falei e decidiu depois deste dia nunca mais se esconder. Isa a Bela Princesa e eu fizemos um pacto: se algum dia eu não agüentar mais o “mundo de gente” posso me tornar um cidadão da cidade dos sonhos.
Festejamos muito essa possibilidade
Mas eu precisava voltar... Montei no pássaro do meu sono e regressei
Quem sabe um dia eu não precise mais acordar?
Quem sabe um dia eu vire, também, um sonho bom

Ewertton Nunes
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domingo, 20 de dezembro de 2009

AmeNINA chocolate

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Eu conheci uma menina feita de chocolate
Tinha a cor perfeita dos mais finos bombons
Destes que enchem de cobiça os olhos
Fora enfeitada com detalhes delicados, o que torna o seu conteúdo irresistível
Por tudo o que é, por dentro e por fora, torna-se impossível não se contagiar
"Nina Chocolate" era o nome carinhoso que levava aquela criatura única
A conheci numa destas viagens que faço por dentro de mim
Sem querer o pássaro que conduz o meu sono, entrou numa dimensão que não conhecia ainda...
Entrei na "Cidade dos Sonhos" quando menos esperava
Lá, as pessoas assumem formas que nunca seriam possíveis no "Mundo de Gente"
Tornamo-nos amigos e toda noite vou visitá-la
Ela é uma das mais interessantes obras da Cidade dos Sonhos
É muito bom ser amigo de um ser tão notado por todos
Ás vezes, os que estão à sua volta precisam se controlar para não roubar um pedaço dela
Triste seria se a Nina Chocolate perdesse qualquer detalhe seu
É tudo tão perfeito, tão bem esculpido
Uma guloseima que foi feita para ser apenas exibida... Nunca tocada
Eu queria ter nascido naquela dimensão e quem sabe ser um "menino feito de nuvem"
Mas infelizmente sou um "menino gente"...
Bom... Ao menos eu posso dizer por aí que há um mundo além do nosso, uma esfera onde tudo existe e é feito de encanto, inclusive a Nina...
A menina feita de chocolate que enche os meus olhos e a boca de água
Nina Chocolate foi um presente
Apesar de ser louco por tudo o que possui a sua cor ,textura e sabor... Eu nunca roubaria nenhum pedaço dela
Toda noite, antes de voltar para o meu mundo de gente, eu sinto a vontade de compartilhar umas coisas que talvez lá ela não saiba ainda...
- Ame Nina chocolate... Mas ame doce, ame suavemente... Ame como amamos uma trufa... Desembrulhe devagar as pessoas, sinta os ingredientes de que foram feitas e quando for saboreá-las, faça isso com toda a verdade do mundo.
Daí eu monto no pássaro dos meus sonhos eu vou embora
Regresso ao meu lugar, meu mundo sem muita graça
Nele permaneço até que a noite seguinte chegue e abra novamente o portal da minha imaginação.
Ewertton Nunes
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

NOITE SABOR HORTELÃ

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Onde está o teu encanto?

Eu estive ali e não o senti


Não queria lembrar, não queria...


O motivo do meu pranto, no entanto, canto


E é como se morresse em mim a magia do que me queria tanto


FOI APENAS UMA NOITE E UMA MANHÃ


LAMENTAÇÃO IMPACIENTE QUE SE CALOU


COMO NUMA PENITÊNCIA VÃ


PESADA E INSISTENTE SOLIDÃO


Tudo porque a paixão não cresceu


Canto apenas um momento triste


Um problema que é meu


E a minha razão esqueceu que tudo não existe


Não queria aquele luar sem nós


Porque a beleza sem você é triste e dói... Como dói!


UMA NOITE SABOR HORTELÃ


QUE ADOÇOU A MINHA BOCA E A VIDA INTEIRA


CORPO BRANCO COM PELE DE LÃ


NO ESPELHO REFLETIDO DE PERFEITA MANEIRA



FOI APENAS UMA NOITE E UMA MANHÃ


UMA NOITE SABOR HOTELÃ


FOI... MANHÃ


NOITE... HORTELÃ

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