terça-feira, 2 de julho de 2013

ENQUANTO DORME

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Eu fotografo o teu corpo enquanto dorme
Cada pedaço tento capturar
Contorno com minhas mãos
As nuances de uma pele que me fala muito aos sentidos
E sutilmente beijo tuas costas
E o cheiro bom de uma essência particular
Aninha-se próximo ao nariz
Onde posso revisitá-la a todo instante
Num cacuete que conhece bem
Tudo em você se amplia com as lentes da minha paixão...
O desejo faz contrair os meus dedos
Na repreensão de um impulso maior
Não quero que acorde
Quero te ver assim
Dormindo, entregue...
Os pêlos que adornam toda a sua extersão
Emolduram um território que aprendi a explorar com volúpia
Querendo cada vez mais todos os dias
Insaciavelmente, incansávelmente...
Cada parte que fotografo... Revela a cada vez...
A beleza de um amor-apaixonado
Que se reforça quando te vejo adormecer
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O IMPOSSÍVEL

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O que nos faz amar algumas pessoas
De forma às vezes desatinada
É o impossível que existe em cada uma delas
Essa película inacessível que as tornam incompletas
Impermeáveis aos nossos desejos idealizados
E na busca por acessar essa pele imperfeita... 
Nasce a inquietude, as indagações, as necessidades
Os sentimentos que convergem para a superação dos nossos limites
É na sublimação dos desenganos...
Que os olhos enxergam o além, o inexplicável...

E vamos assim aprendendo a amar
Porque o impossível é amante do mistério
E nós só amamos o que nunca poderemos alcançar
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LEITURA

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Não quero a formalidade na minha escrita
Pois me interessa muito mais a leitura
Quero sim fazer uso de uma licença poética
Pois o pensamento precisa de liberdade
Deixemos os caminhos certos da palavra para os burocráticos
Eu prefiro fazer o meu próprio sentido
A trafegar por normas e regras
Estou com Bandeira: abaixo os puristas!
Que a leitura seja sempre maior que qualquer escrita
E o que chega tenha sempre mais valor do que aquilo que sai

 
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terça-feira, 4 de junho de 2013

ARMADILHA PARA BEIJA-FLORES

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Quando me usa para a tua vingança
Eu entendo o sentindo real da tua procura...
Sei que para todos os males uma compensação
Eu sempre escolho acreditar
E a minha crença é a de um beija-flor preso por uma armadilha numa janela
Sim, eu vejo a flor, esqueço o artificialismo...
Até que ao observar, sem querer, num voo parado
Eu vejo o preparo cotidiano do nectar que busco t...odos os dias
Nesse instante eu compreendo tudo
São os descuidos que desmoronam grandes conquistas...
E o beija-flor vê mais a armadilha que o doce ofertado
Não é ingratidão... É o recuar de um sonho
É perceber que ao invés de cultivar o beija-flor com uma flor viva, escolhida de forma unica...
A mim foi destinado o superficial
E que em outro canto iluminado da casa há flores vivas que alimentam outro pássaro...
Eu que gosto de bater as asas no mesmo lugar
Gerando uma beleza que não se pode imitar
Percebo nas armadilhas do amor
Os artifícios que não se pode aprisionar
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SOBRE CORPOS E ALMAS

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Eu que tenho a sina dolorida de ler os detalhes
Que tenho sensibilidade a capturar sutilezas
Dessas que se desprendem das palavras, dos olhares, das desculpas...
Não consigo acreditar muitas vezes em verdades que parecem inteiras
Muito menos em meias verdades que se entregam como um bandido sem habilidade...
Quisera eu ainda trazer a inocência nos ouvidos para crer sem duvid...ar no segundo seguinte...
Se eu não fosse feito e afeito às paixões poderia ao menos fingir
Interpretar que não compreendi as subliminaridades do corpo, do texto, das procuras...
Eu bem entendo sobre desapegos reais
Sei discernir o que seja desejo e necessidade...
Engana-se quem acreditae enganar o latente, o àvido...
Ainda bem existem brechas na alma humana
E nos corpos despreparados para viver irrealidades
Assim é possível ver sem esforços o que não se dissolve facilmente
E que talvez nem deseje se dissolver...
Só não me obriguem a fingir que não sou um bom leitor
Leio tão claramente os detalhes
Que na cabeça as vozes das minhas incertezas repassam o tempo todo
Aquilo que eu não posso esquecer...
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segunda-feira, 22 de abril de 2013

CHUVA

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CHUVA

Se não serão minhas as noites de chuva
Nem tão pouco as horas de desejo
Se não serão meus os teus motivos de ciúmes
Nem a saudade dos costumes diários
Se não serão minhas as tuas satisfações
Nem as preocupações de não machucar
Se nem os planos futuros incluem a mim
E a minha vida não tem grande importância...
Se não aspira nenhuma mudança
Nem dentro ou fora de nós
Se sou sempre a terceira opção
Diante de tudo que escolhe seguir
Se não há desconforto com nenhuma situação
E como remédio utiliza o perdão
Se sou apenas uma ponte
E não sou estrada
Eu quero entender qual a finalidade
De querer amar alguém que não serve para nada?

Ewertton Nunes
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domingo, 21 de abril de 2013

DE "TON" EM "TON"

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DE "TON" EM "TON"

Eu não sei se seria de bom “ton” falar sobre o dia de hoje
Nem que “ton” deveria usar ao relatar o que experienciei
A alma possui “tons” próprios
Que se modificam com o manuseio
Sei que uma música nova emana
De “tons” graves a agudos “tons” ela flui

Na paleta de sentimentos dualistas
... Toda cor tem ao menos dois "tons"
E o pincel que outrora ornou de sombra os dias
Muda o "ton" e traz à noite uma rajada de luz

No meu “ton” ou no seu “ton” a mesma motivação
Um alguém fora do “ton” que consegue harmonia
Nossas identidades partilhadas
Semi”ton”am semelhanças
E nossas peles estão revestidas de “tons” do passado, presente e futuro...

Ainda que reverbere um ou outro "ton" dissonante
A última sílaba do derradeiro verso não fraqueja:
É precisa, é "ton"ica!
E o farol que se ocupava em vigiar fantasmas
Hoje projeta, num painel em "tons" pastéis, um provérbio modesto:
-Pense duas vezes antes de elevar o "ton"..."sempre"!

Poema escrito por Everton Mesquita e Ewertton Nunes (via facebook)
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