quarta-feira, 26 de outubro de 2011

QUANDO HÁ AMOR

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O amor é a formação de um grito
A erupção anunciada de um vulcão
É a essência melhor de um coração aflito
A mais completa melodia de uma canção
É como sentir o mormaço que antecede a chuva
A fome que surge do cansaço
É a fadiga que chega depois da luta
Da nudez o total desembaraço
O amor é quando o mar puxa para dentro
E com a onda devasta o que tiver à margem
Essa ansiedade que nos empurra
O melhor pretexto para se fazer viagem
A coisa mais difícil de sair da boca
Por precisar de enorme certeza
O amor é a coisa mais fundamental da vida
E a mais complexa de toda a natureza
Quando surge nos faz pensar em esquecer tudo
Querendo o nada para melhor se ampliar
Só um verdadeiro amor mata
Somente um legítimo sentimento pode ressuscitar. (EWERTTON NUNES)
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terça-feira, 25 de outubro de 2011

ParticulAR

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Usa a minha pele como um casaco
Cobre-se de mim para não sentir incômodo algum
Quero-te tranquilo sempre
Meus sentimentos mais idealizados são retalhos com os quais
faço um cobertor com texturas amaciadas e cores vívidas
Desejo-te transitando como um sonâmbulo
Embriagado pela forma clariceana de ser
Simplesmente indo... Entregue ao abandono de sonhar
Acreditando que acordar é um engano que não precisamos viver
Envolver-te pelas minhas palavras vagas
Que pouco dizem do que eu tenho por dentro
Deixar-te enternecido pela minha mão suavemente todos os dias
Retira essa camada que me reveste
Ela só faz sentido se te aquecer
Os meus pensamentos são servis aos teus detalhes
Aos teus mais generosos interesses
Usa cada PARTICULA de AR que sopro em sua direção
E toma-me para o seu PARTICULAR deleite
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

BEIJO VINDO DE LONGE

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Hoje senti a força de um beijo na boca dado à distância...




consegui tatear suavemente por todas as sensações que ele trouxe




Rememorar um beijo é tão desconcertante quanto a sua realidade




Ainda mais quando ele ultrapassa o tempo, o espaço, o físico...




O sensorial de um beijo na boca enviado de longe...




Desfalece-me, embriaga-me, incita-me a amar ainda mais




Condena-me como uma promessa que precisa ser cumprida




Dure o tempo que durar...
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domingo, 23 de outubro de 2011

O JARDIM QUE HÁ EM MIM

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Hoje eu tenho uma flor na boca




Vermelha como a paixão recém descoberta




Como se cada dia fosse de um vermelho urgente




Assim como quem não consegue deixar de querer...




E ela está perfumada...




Rubra rosa apaixonadamente quente




Abrasada pelo calor de um amor que é quente como o sol




Ela tem um aroma de saudade gostoso




Tenho outra flor no peito




Branca como a mais pura inveja




Ou como o mais tranquilo lutoUm botão dígno de adornar belezas antigas




E trazer paz aos olhos de quem tocar...




Se fosse falar de todas as rosas que carrego em meu peito




Passaria a eternidade mostrando o meu jardim




Esse jardim que floresce aqui por dentro




Um dia quem sabe eu abra meu corpo ao meio e me transforme em roseiral




E a quem desejar possa, deixar roubar meus botões




Alegro-me com a falta de espinhos nas flores que hoje dão beleza ao meu íntimo




Hoje sou um canteiro de primavera...




esperando que o amor volte para me cuidar




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sábado, 22 de outubro de 2011

CORAÇÃO ESTRANGEIRO

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O meu coração escondi numa mala


Clandestino ele parte para o estrangeiro

Partidas são sempre escuras, mesmo quando sabemos que não são para sempre


Deixando sem identidade esse espaço que fica aqui no centro do meu corpo


Sinto antecipadamente a ausência de dias ainda não vividos

Vívidas apenas as lembranças que acaricio com meu silêncio

Em meio ao tumulto das viagens, há felicidade, pois sinto que o meu coração vai leve

Torna-se na bagagem um necessário aconchego para dias de frio

E eu também me sinto aconchegado pelas mãos de um amor renovado

Enquanto o tempo fica suspenso em saudades

Vou pegar parte dos meus pensamentos e ocupar esse íntimo vazio que fica

Um vazio bom com sensação de vento em casa arejada

Aproveito para escrever poemas de regresso

E mostrar que o meu coração permacerá com o mesma sensação de vida

Ainda que ele esteja longe de mim
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terça-feira, 23 de agosto de 2011

LIÇÕES DE BICICLETA: A vida SOBRE duas RODAS!

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Eu tenho aprendido muita coisa andando de bicicleta
Pedalando por aí enquanto a vida também faz o seu percurso
Tenho aprendido que tudo o que eu preciso é da energia do meu corpo para chegar a algum lugar
Que distância é uma questão de concentração e foco
Tenho aprendido o momento de parar...




A aceitar que eu tenho limites
Vejo que tempo e espaço reduzem a distância entre erros e acertos
Tenho aprendido a respeitar os grandes
Duas rodas não podem competir com quatro rodas, mas podem conviver.
Percebo que nem sempre os sinais são garantia de segurança
Tenho valorizado mais o tempo... Olhado o céu com frequência
E sentido mais o vento... Compreendo que ele pode estar contra e a favor da gente
Sei que contra, o cansaço pode nos vencer
Aprendi que uma ladeira é a recompensa depois de uma subida árdua
E que dura pouco essa felicidade de não fazer esforços
Aprendo que inspiração não precisa de calma e silêncio
Em movimento se pensa na mesma dinâmica
E se sente mais do que sensorialmente, é físico qualquer sentir
Aprendo a estar preparado para o inesperado
E dou muito mais valor a toda chegada
Aprendi a olhar para o chão também, sem esquecer de todo o resto
E dar espaço para que outros passem
Entendi que realmente não estou só
E que eu preciso praticar realmete o respeito a mim, àquilo que me serve, aos caminhos, as pessoas, as máquinas... Se quiser continuar pedalando.
Aprendi principalmente que tudo depende a minha capacidade de ir
Da minha condição de lutar contra dores diarias
E da habilidade de criar forças
Entendi que força é uma invenção individual
E que a vida pode ser tão melhor quando pedalamos por aí pensando sobre essa vida
Acidentes podem acontecer se olharmos mais para dentro do que para fora
Mas não olhar para dentro também não vale o percurso
Buracos podem se esconder em poças aparentemente inofensivas
E cair numa depressão oculta pode significar o fim
Os pés são a força, as mãos o equilíbrio
E a bicicleta me dá todos os dias lições de equlíbrio
Para soltar as duas mãos é preciso saber controlar a intensidade da força
Aprendo também sobre freios... Mantê-los ao alcance das mãos e firmes
Com eles podemos assegurar a nossa integridade física
Pedalar me ensina sobre o princípio e o término de uma jornada
Todos saímos de algum lugar rumo a um final previsível
O que vai fazer a diferença são as escolhas do caminho
E acertar ou errar vai depender da nossa capacidade de escolher
Existem muitas lições que podemos levar para a nossa existência
Podemos fazer numa jornada sobre duas rodas e numa jornada pela da vida as mesmas opções
Optanto em torná-la uma obrigação...


Ou aproveitar tudo o que existe no transcorrer, com leveza
Aproveitar os bons e os maus acontecimentos
Podemos optar em ver essa pedalada como uma meta, enxergar máquinas e estruturas...
Ou perceber as árvores, sentir o vento, observar as pessoas...
Aprendi que quando a chuva chega inesperada, você pode prosseguir ou perder tempo esperando que ela cesse...
Deixar se molhar pela chuva pode ser prazeroso ao passo que não elimina os danos
Das coisas que aprendo sobre duas rodas existe uma maior do que todas...
Uma vez que se aprende a andar de bicicleta... Uma vez que se aprende a viver... Nunca se esquece.






acidentes podem

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domingo, 7 de agosto de 2011

VOCÊ PODE NÃO ENCONTRAR...

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A gente deveria guardar bem os telefones de pessoas importantes, um dia podemos procurar e não vamos mais encontrar








Da mesma forma as fotografias tiradas em momentos especiais...








As músicas queridas que deixamos de ouvir...








Porque um dia podemos querer confortar a saudade e não vamos mais encontrar








Há também os poemas escritos a mão...








Os amuletos da sorte, as cartinhas de amor...








Os diários que guardaram nossas primeiras descobertas...








As roupas que um dia gostamos muito...








Devemos guardá-las bem, pois, um dia podemos não mais encontrar








Tudo o que temos de valor no presente deveria ser guardado com muito cuidado








Um estado de conservação permanente








Isso serve também para a paixão, a cumplicidade, a partilha, os sorrisos, os beijos dados com amor na boca, a disponibilidade em viver junto, o diálogo sem peso, a sinceridade, a entrega total dos afetos, o respeito...








Tudo isso deve ser guardado com muito cuidado...








Um dia você pode procurar, e não vai mais encontrar.




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