quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PEQUENAS MÃOS

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Fui fazer uma nova visita ao mar
Ele estava revolto...
Como se algo tivesse tirado a calmaria que encanta
Tentei suavizá-lo com as minhas mãos
Pequenas mãos tentando tocar o intocável...
Modificar a imensidão
Os ventos eram o desabafo do mar




Que puxava com agressividade toda a areia
Como quem machuca a própria pele com suas unhas




E empurrava as ondas que traziam instabilidade aos meus passos




Naquele dia, eu era cúmplice do mar
Compreendia plenamente as suas contrações involuntárias
A inquestionável diferença entre as nossas naturezas
E as despretensiosas semelhanças entre nós dois




Queria ser como ele...




É que o mar é ancestral
Aprendeu a ir e vir, a se equilibrar, a invadir...
Eu sou recém chegado e não demoro muito a partir
Queria ser assim...




Uma porção de coisas pequenas que juntas formam algo tão sem controle




E mesmo isoladas não se pode de fato tocar




É mais para ser tocado... O mar é para ser sentido




Essa imensidão de água é a única coisa realmente livre




Não há quem consiga enfrentar sem medo




Gosto do temor que o mar impõe a todos




Ser tão desejado e ao mesmo ditar limites




Nunca tive tanta intimidade com o mar como agora




Esse é um encontro que demorou a acontecer




Talvez porque eu seja oriundo da terra




E sobre ela me sinto dominador




Mas o mar e eu temos em comum quem nos governe




A lua... É ela que nos rege




A lua é que altera tudo em nós...




O mar é dos mistérios o mais respeitado
Eu que não possuo mistério algum, vou tentando ober um respeito mínimo
Sei que não posso influenciar as águas que criam os mares

Conheço a fragilidade do meu corpo perante um mar inteiro
Mas ainda acredito que existe uma força aqui dentro




Que pode acalmar o que se revolta




Capaz de tranquilizar águas que nunca tiveram sossego
Há dentro de mim um domador de marés
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sábado, 26 de novembro de 2011

SERENA SERENATA

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Menina serena com olhar de estrelas
Teu corpo flutua suave sobre a dor
Carrega uma flor branca em teu peito
Nos olhos fechados o sonho profundo do amor

Como uma serenata que toca os ouvidos
Cantada como um pedido de vida ao luar
Da janela se sente suspiros contidos
Que o peito sereno não deixa soprar

As palavras de encanto que tanto esperas
São vozes noturnas te fazes dormir
Uma serenata de amor depois de aberta
Só encontra sentido se os sentidos sentir

Menina pequena, coração de serenata
Tua dor navegas até ancorar
A flor que levou contigo no peito
É rosa tão bela flutuando no mar...
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CRUALMA

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Sou essa carne crua
Que cheira à essência mais primitiva
Ainda que me fervam...
Que queimem os meus sentidos...
Permaneço cru, no meu estado mais humano
Enquanto todos se veem encobertos por falsas verdades
Invenções daquilo que gostariam de viver
Eu me mantenho nu e cru
Afinal, verdade que se veste é mentira
Crueza que se frita deixa de ser orgânica, visceral, epidérmica...
Eu sou cru e por vezes me pinto de crueldade
Mas essa pintura sim, eu crio, ao meu mais despótico sabor
Bom brincar de ser bandido
Embora ser mocinho é uma sina que não satisfaça a minha realidade
Às vezes confundem por tristeza o que não é...
Sou cru e a minha tristeza está muito abaixo disso
Enterrada numa camada dos meus olhos
Que somente profundos abalos sísmicos d`alma podem emergir à superfície
Eu venho tentando me aquecer e virar outra coisa
Mais adequada a todos os paladares...
Mas não tem sido fácil
Para me devorar somente os de estômago forte e digestão lenta
Sou carne viva, crua, com sangue ainda jorrando...
Coisa que a civilização não põe mais à mesa
Devora-me quem ainda sente a fome pura
Com caninos fortes e pontiagudos
Para quem se mantém com instinto de vida
Essa “crualma” que nunca vai se modificar.
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

QUANDO A REALIDADE TROCA DE NOME

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Basta somente sentar a realidade em frente a um espelho
E adornar a sua desgastada aparência com um vestido florido
Colocar-lhe nos cabelos uma flor
Talvez um girassol grande e amarelo
Isso depois de escová-los com carícias e afagos
Em seu colo um colar de pérolas brancas
Na face um pouco de cor para suprimir a palidez
Basta realçar de beleza a realidade
E ela ganha novo nome...
Passa a se chamar POESIA.
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VOZES ANCESTRAIS

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Não consigo parar de pensar...
Devoro minhas unhas por não conseguir devorar cada pensamento
Sinto-me preso numa "esquisofrenia" que não me enlouquece
Mas tranquiliza a realidade
Ter o coração de poeta é ter alma assombrada
Ouvir vozes que pedem o tempo todo para ganhar escrita
E o pior são as nossas várias vozes falando ao mesmo tempo
Ininterruptamente fazendo apelos de liberdade
Que poucos olhos lerão com gentileza
Ou ouvirão com fraternidade
Por vezes essas vozes me despertam a noite
E não se aquietam enquanto eu não lhes dou espaço para ser
Ando pelas ruas e me ouço o tempo todo dizendo, por dentro, coisas que não sei de onde surgem
O mais estranho é saber que existem lugares em mim que nunca saberei chegar
Vozes ancestrais que são minhas, sempre foram... Perduraram até agora
Essa coisa que é tão minha sente necessidade de ser de todo mundo
Trago dentro de mim fantasmas que apelam por atenção
Existe nas coisas invisíveis que me movem
As vozes de todas as minhas pessoas que habitam em algum lugar da minha cabeça.

(EWERTTON NUNES)
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

CORAÇÃO TRANQUILO COMO O AMANHECER

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Gosto quando o meu coração está assim...
Aconchegado entre as sensações mais leves que repousam dentro de mim
Gosto de sentir o meu sangue correndo sem pressa
Quase que valsando por minhas veias
Que agora são mais verdes ainda... Porque há mais vida circulando aqui
Eu gostaria que essa sensação de ausência permanecesse comigo
Sem surpresas que venham afugentá-las
A ideia de abandonar o que me faz mal é realmente renovadora
Quero ser preservado assim...
Não deixe que nada chegue para me retirar essa paz de amanhecer
O amor se torna ainda mais doce assim
O desejo de eternidade é uma ilusão que acreditamos ainda mais
Abdicar de si, se transformar no mais belo abandono que possamos fazer
Passamos a ser uma oferenda jogada ao mar
Esperando mais graças para o nosso caminho
Como é bom sentir a cadência mais tranquila do nosso coração
Na verdade, o simples fato de ouvir o coração já vale tudo
Eu havia esquecido como era a sua voz
Mas agora que me tornei uma morada mais tranquila para ele
Ouço o reverberar das canções apaixonadas que cantarola por todo o dia
Agora é hora de acariciá-lo com as melhores lembranças que trago hoje
Para que adormeça sereno... Em sono tranquilo de liberdades
Cuida do meu coração, não deixe que nada o incomode
Afinal,ele agora adormece pensando em você.
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sábado, 12 de novembro de 2011

OS LIMITES DO MUNDO... OS LIMITES DE NÓS

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Quando um homem viaja descobre as
reais proporções do seu corpo

É preciso ir longe para se ter a
dimensão da capacidade real das
nossas pernas

Sair pelo mundo é ter a possibilidade
de entender os nossos limites

Limites que estão dentro e fora de
nós

Estar no mundo não significa
necessariamente pertencer a esse
mundo

É preciso ter avidez, fome de
descobertas, ânsia de viver para
devorar algo tão grande assim...

Quando vamos por aí, percebemos o
quanto o homem andou e o mundo
permaneceu em seu lugar

Entre paisagens humanas e naturais
vamos vendo o melhor e o pior da
natureza

Aquela que adorna o entorno de nós
e fascina pela sublime ideia de Deus...

A que habita em todo o ser
humano, independente da língua,
credo ou cultura...

Essa, ainda que se passem os anos,
nos causa assombro

Desacreditando que exista a
presença divina na essência dos
homens

De tudo, monumentos à memória do
que se foi...

Para tudo, a perspectiva do que virá

Gira o mundo e nós giramos juntos

Procurando trazer a imensidão desse
universo

Nessa captura tão fugaz e singela do
nosso olhar...

(EWERTTON NUNES)
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