quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

OS PLANOS TODOS

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Não vista essas desculpas esfarrapadas
Que o armário está cheio de bons motivos de cetim
Apare essas culpas cabeludas e descuidadas
Faça essa raiva mal-feita que lhe cobre o rosto
Vê os planos todos que lavei na pia
E estendi para secar no desejo livre que sopra
Estão todos alvos de verdades alvejantes
Embrulha todo essa natureza estragada que a validade venceu
E eu vou ajudar a jogar na lixeira
Forra esse drama ao levantar
Abotoa essa vida para melhorar a aparência
Apaga a luz da saudade que deixou acesa
Economiza nostalgia que a conta está cara
Pinta esse amor de vermelho
Que a maresia já corroeu
Varre a ilusão antes de sair
Que a poeira do adeus sopra da praia
Assume os teus brancos apelos
Fecha a janela que tem paixão querendo roubar
Espreitando os descuidos, os vacilos
E não esqueça o coração que preparei pro almoço
Volte cedo, passe na padaria e traga sonhos
Que estou cansado de jantar desgostos

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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

ENSAIO PARA UM ADEUS

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ENSAIO PARA UM ADEUS...

 

 

 

        Hoje sinto a necessidade de dizer um tanto de coisas que talvez não façam sentido no tempo que virá. Há quase três anos, mais precisamente três natais eu tive um encontro inesperado com alguém que tem a capacidade de motivar todos à sua volta para lutas que parecem perdidas... E é por isso mesmo que luto agora acreditando que esse é um bom momento para pôr em prática aquilo que é tão pregado.

        Nesse tempo fiz um vôo de autoconhecimento por sobre essa extensão daquilo que sou. Eu que sempre temi mergulhos em águas desconhecidas, deixei o amar me cobrir por inteiro. Eu de fato tinha medo do amor como tenho do mar, porque ambos podem nos inundar. Mas isso acontece com quem deseja que as coisas sejam iguais, leves, boas e seguras para sempre. Eu que sabia que fatalmente amaria demais, amei...

        Foi nesse encontro que eu conheci e reconheci pessoas muito especiais, com as quais eu aprendi a dividir momentos sempre renovados. Essas pessoas tentam mander a ordem das melhores coisas que nos traz a vida seguindo a palavra de Deus. Tão difícil palavra de seguir. Principalmente no que diz respeito ao amor verdadeiro ao próximo.

        Sei que fui abraçado por todos, porque sou de abraçar também. Quem vive para ser melhor todos os dias e luta para manter o mundo um lugar melhor também se reconhece e acaba por criar uma pequena aldeia. Infelizmente alguns chegam na  vida da gente e não possuem a coragem de permanecer... Eu que não sei quanto tempo terei todos os que aprendi amar ao alcance da minha visão, essa que é limitada e de território menor do que o do coração e da memória, ensaio a minha partida.

        Se os nossos desejos fossem o suficiente para nos fazer ficar, eu os teria pela vida toda, afinal, eu tenho fôlego e amor para ficar dessa forma ao lado de alguém. Porém, somos homens e para nós vida=escolhas. E quase sempre escolhemos a incerteza, a procura, a fuga, o abandono. Parece mais fácil jogar do que reconstruir. O que é irônico, uma vez que pensamos ser a paz, a felicidade, o amor a principal razão de existir. Gostaria que soubessem que acredito na capacidade de cada “sub-família” que compõe essa grande família. Eu creio no proósito do amor, da tolerância, do respeito, da reconstrução diária, do perdão e acima de tudo, acredito no exercício real da partilha.

        Faço um último pedido, exercitem o perdão com total desprendimento das memórias que nos magoaram, os erros precisam ir, se ficarem serão outro erro. Abracem ainda que a vontade seja contrária, um abraço salva! Mas quem sou eu pra ensinar a cristãos àquilo que lhes deve ser natrural? Nesse momento eu não posso deixar de dizer o que sinto que pode ser a salvação de tudo o que é realmente importante para nós mortais que vivemos em coletividade e temos que suportar uns aos outros.

As escolhas de outros muitas vezes não são as nossas e cabe aos outros que nos perdem nos resgatarem a tempo. Complexo? Acredito que não, nós seres falíveis nos entendemos em nossa complexidade.

         Deixo um simples apelo: nunca deixem de olhar verdadeiramente o outro, o próximo que está mais próximo de cada um de vocês. De reconhecer o quanto ele é bom, ainda que às vezes os tropeços aconteçam. E mesmo aquilo que chegar com textura incômoda traz amor, é real. No fim das contas amor é um punhado de coisas boas e ruins, leves e pesadas, mansas e revoltas. Não sei quanto tempo terei vocês ao alcance da minha visão, não sei se o resgate chegará a tempo... Nem sei se ele chegará. Para salvar é preciso humildade que às vezes a gente só tem em discursos e com desconhecidos. E independentemente de qualquer seja o destino nunca esqueçam que são as nossas escolhas que determinam o nosso amanhã e que todo dia a gente escolha nunca perder o que realmente importa para o resto do nosso tempo.

 

 

Ewertton Nunes (em despedida)
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QUEM SABE, UM SAMBA DE RESGATE

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Cortinas de solidão
Não deixam a luz entrar no quarto escuro do meu coração
Saudade é poeira de chuva "ventada" nos olhos
E faz lágrima correr
Fiz um samba sem SOL
E com DÓ de mim
LÁ se foi a alegria
Quando a gente canta só
É porque algo chegou ao fim

Ai! Sina triste de buscar o amor
Diga qual o caminho certo quem o encontrou
e mais do que chegar
Conte para um pobre sonhador
Como fazer para ele não nos deixar...

Por que o amor foi embora?
Não sei, escorreu por entre desculpas
Não sei o motivo
Desconheço a culpa
Acordou disposto a partir
Sem levar nem consideração
Vai lá entender a loucura dos que fogem
Quem vai julgar os insanos sem razão?

É o amor foi embora
Ele foi e não sabe voltar
Perder egoísmos enfraquece
Aquele que desaprendeu a resgatar
Reconhecer a importância
É pobreza para alguns
Melhor ser rico sem ignorância
a perder desejos em comum

Quem sabe um samba me resgate
E te faça voltar
O amor é cadência
É estrela ascendente
Que só cai se a gente deixar
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domingo, 23 de dezembro de 2012

DE REGISTROS E AGENDAS

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Eu que aprendi sobre os registros
Esqueci de registrar como é viver em ausências
Eu conheci agendas...
Esqueci de programar o dia de partir
Sinto falta das burocracias particulares
Dos mesmos bons hábitos que se repetem
Que deixam a vida com uma rotina especial
Eu que respirava com felicidade as palavras de ordem
E as idiossincrasias de uma natureza rústica
Vejo a sensação estranha de buscar outras alegrias
Eu que saboreava todos os direitos bradados por sua alma
Vejo-me privado do direito mais urgente que tenho
O de viver onde sinto felicidade
Como o podemos derramar um copo cheio de boa água
Vivendo num mundo onde há tanta sede
E muitos bebem lama
Tantos querendo um encontro especial para a vida inteira
E outros abandonando corações entregues a amores e verdades
Eu ainda preciso registrar muita coisa sem sentido
Para tentar compreender em que momento se acaba a procura humana
Em que instante se decide deixar de olhar somente para si
E enxergar a vida de outros querem nos dar
Logo todo mundo deve ter as respostas
Porque a existência nos dá ultimatos
E quase nunca dá tempo da gente agendar
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MÚSICA DE VENTO

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O vento que chega vindo do mar
Traz a brisa da saudade
De todo o amor naufragado
Que um dia nos navegou
Deixa o coração temperado
E a lembrança do gosto salgado
De uma vida que o mar levou

Leva mar, leva o amor...
Porque tempo é areia que já passou
Leva mar, leva a saudade
Leva meu coração
Leva tudo, leva embora
Deixa apenas a solidão

Quero música de vento
Feita com saudade e acordes de maresia
Ter da vida o deslumbramento
E a quietude que suaviza pelos dias
Quero a vida a soprar tudo
Para onde não se procure o amor
Ser lançado em contratempo
Para tirar beleza do sofrimento
E esquecer que a saudade me naufragou



(Uns versos para EVERSON- Ele que É o VERSO em forma de SON ) rs
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sábado, 22 de dezembro de 2012

ESTOU EM CASA

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E de repente a pele voltou a sentir o toque do vento
Até o calafrio era tranquilo e bom
E a vida tinha toda a minha atenção
Logo a poesia voltou
Atendeu a porta quando bati
O mar tomava o meu olhar com total liberdade
Esse corpo era seu sem restrições
Sem medos, sem fugas
Tão sem pretensões eu estava
Que as minhas mãos redescobriram o caminho de volta à palavra
E a surpresa era mansa
Que mágico é sentir a tarde vazia
E a noite com ausências não é tão má
De repente as escolhas me regressaram
E as bagagens que trouxe eram leves
O que nunca foi meu ficou onde quis
E eu que nunca pertenci àquele lugar
Diversas vezes expulso do "paraíso"
Estou em casa...
Sentindo uma dormência sutil na alma
Como quando a angústia passa
E a gente percebe que a morte
Fez parte de um sonho inquieto
Recorrente de todos os desejos que jogamos no inconsciente
E que a vida não possui competência para realizar
De repente a pele voltou a sentir o vento
E eu a me sentir dentro de mim
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REPOvoaR

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O mundo não chegou ao fim
Mas algo findou
No dia em que a sorte me deu uma bicicleta
O destino me tomou o amor
De um só vez perdas e ganhos
Alegrias e a retirada de sonhos
Por um lado ganho a liberdade
No outro lado perco a partilha
Volto ao IN
Enquanto o DIVIDUO vai embora
Afinal, onde o equilíbrio de fato acontece?
Se o mundo tivesse a mesma capacidade do homem
E num acesso súbito, realmente pussesse um ponto final
Talvez eu tivesse ganho a oportunidade de não perder coisas
Eu não teria ganho uma bicicleta
Nem perdido o amor
Mas espera... Eu perdi o amor?
Não. Ele de fato está aqui e permanecerá
O outro é que me perdeu
E se perdeu sem perceber
E eu sei que outro igual a mim nunca ganhará
Porque a sorte ela acontece como um milagre
Ou como um meteoro vindo para destruir tudo
Por outra perspectiva,
Se o fim não fosse uma realidade
Eu não teria a chance de ganhar outras que estão por vir...
É... O mundo não acabou
Mas eu sim
Mas não devo acabar
Porque assim é todo apocalipse
Primeiro tudo se destrói
Para em seguida recomeçar
Chegou o fim do meu mundo
Então é hora de me "REPO-voaR"
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