quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

COLO DE MÃE

| | 0 comentários



Tenho a respiração forte
De quem aspira o mundo com dificuldade
Mas o prende firme antes de expirar
Quando o silêncio é o soberano da noite, eu ressono
E isso que saí, é o tanto de vida que circula para dentro e para fora de mim
Nunca foi fácil respirar
Mas eu luto firmemente por cada inspiração que possa buscar
Inspiração move física e espiritualmente a natureza do homem
A minha natureza depende dessa força dividida
Agora eu tenho mais dificuldade em puxar muita coisa para o meu corpo
Sinto que o verso vela o meu sono
Atento ao meu ofegante peito
A poesia é o ventre onde fico em gestação
É o meu primeiro berço
Toda vez que sou parido para enfrentar a vida
Sinto o ar das provações agredirem o meu pulmão expandido
E eu choro assim...
Choro porque um dia havia desaprendido como se chorava
Sempre tive o "peito de pombo"
Enlarguecido por esse desejo que tragar tudo com voracidade
Roubando respirações de outros
E as deixando presas
Muitas vezes nem sei se o meu ar é realmente meu
Não consigo nem mesmo entender se conseguiria respirar sendo de outra maneira
Mas a realidade é que tenho a respiração pesada
E apesar da grande capacidade de aspirar sonhos
Tenho ossos pesados demais para voar
leer más...

IMATERIAL

| | 0 comentários



Perdi a capacidade de condenar as ações humanas
Essa sensação de entender as razões do mundo seria uma dádiva?
Julgo muito mais a mim e me condeno muito mais
Ganhei do universo uma generosidade estranha
Sinto a estranheza do mundo perante essa qualidade adquirida
O que é controle para muitos está descontrolado
Aquilo que parece falta de juízo é na verdade o juízo maior
Talvez seja difícil entenderem os motivos pelos quais vivo a querer mudar tudo
Mas um dia perceberão que a vida precisa de valores como esses
Perdidos na transição do imaterial para a matéria
Não por acaso os homens que permaneceram na história do mundo
São dotados de virtudes incompreendidas
Mas eles permaneceram
Se eu permanecer de alguma forma, é porque sempre estive certo.
leer más...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

PAPEL

| | 0 comentários


Papel, sou eu assim branco e vazio a esperar tua mão
Tocando o silêncio dessa solidão
Que precisa de poesia para libertar...

E o céu, é tão pequeno em sua imensidão
Para caber toda ausência que meu coração
Não passa um só dia sem desaguar...

Eu sei, que tudo um dia vai desaparecer
Que as coisas quando nascem tendem a morrer
E apenas um poema pode eternizar...

Eu vou voar com suas asas sem me fatigar
Sem nunca encontrar um ninho para descansar
Sou realidade branca para preencher

Não vou temer nenhuma dor que me aparecer
Aquilo que é vazio vai me preencher
Dessas palavras que nunca vão me abandonar...

Então, ponho asas nessa poesia que me escolheu.
E sigo esse caminho que não é só meu
Quem tem o verso como sina nunca vai pousar...

Eu sou papel querendo mais compreensão
Espaço para partilhar coisas que a razão
Enlouqueceu tentando entender...

Papel, sou assim roto e borrado a vagar no ar...
Procurando a singeleza de um honesto olhar
A terra de um coração igual adormecer...
leer más...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

| | 0 comentários






Aprendi a levar nas costas as minhas necessidades

Eu não sei mais como é uma vida sem peso

Sou um retirante que em meio ao caos urbano

Desenvolveu a habilidade dos que não aceitam errar

Saio todo dia como se fosse possível nunca mais voltar

Sei que isso um dia será uma realidade…

Mas nesse dia não quero estar desprevenido

Quero ter nessa mala que transporto o que eu precisar…

Dizem que um dia sentirei a consequecia de carregar tudo comigo

Mas não sabem os que vivem sem pesar

Que aquele que carrega o mundo nas costas

Cria corpo forte para suportar tudo

(EWERTTON NUNES)
leer más...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Folha em vento forte

| | 1 comentários


Era pela tarde quando a natureza me agrediu com delicadeza
Tocou o meu corpo, na altura do peito, sem intenção...
Nunca pensei que uma folha em vento forte pudesse causar dor, por menor que ela seja...
Percebi com esse acaso que toda beleza pode ser agressiva
O que serve para causar êxtase, quando levada por forças mais intensas... Consegue ferir
É de uma surpresa mística o golpe da natureza
Mas é bom que nos chegue assim
Serve para que não subestimemos a suavidade do que parece sempre bom e frágil
Tudo possui o seu lado hostil, mesmo uma folha que cai de árvore
Eu penso que, algumas vezes, sou como essas heranças do outono
Desprendo-me dos galhos que me suspendem para surpreender alguém
Às vezes é bom que nos conduza o vento...
leer más...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PEQUENAS MÃOS

| | 0 comentários






Fui fazer uma nova visita ao mar
Ele estava revolto...
Como se algo tivesse tirado a calmaria que encanta
Tentei suavizá-lo com as minhas mãos
Pequenas mãos tentando tocar o intocável...
Modificar a imensidão
Os ventos eram o desabafo do mar




Que puxava com agressividade toda a areia
Como quem machuca a própria pele com suas unhas




E empurrava as ondas que traziam instabilidade aos meus passos




Naquele dia, eu era cúmplice do mar
Compreendia plenamente as suas contrações involuntárias
A inquestionável diferença entre as nossas naturezas
E as despretensiosas semelhanças entre nós dois




Queria ser como ele...




É que o mar é ancestral
Aprendeu a ir e vir, a se equilibrar, a invadir...
Eu sou recém chegado e não demoro muito a partir
Queria ser assim...




Uma porção de coisas pequenas que juntas formam algo tão sem controle




E mesmo isoladas não se pode de fato tocar




É mais para ser tocado... O mar é para ser sentido




Essa imensidão de água é a única coisa realmente livre




Não há quem consiga enfrentar sem medo




Gosto do temor que o mar impõe a todos




Ser tão desejado e ao mesmo ditar limites




Nunca tive tanta intimidade com o mar como agora




Esse é um encontro que demorou a acontecer




Talvez porque eu seja oriundo da terra




E sobre ela me sinto dominador




Mas o mar e eu temos em comum quem nos governe




A lua... É ela que nos rege




A lua é que altera tudo em nós...




O mar é dos mistérios o mais respeitado
Eu que não possuo mistério algum, vou tentando ober um respeito mínimo
Sei que não posso influenciar as águas que criam os mares

Conheço a fragilidade do meu corpo perante um mar inteiro
Mas ainda acredito que existe uma força aqui dentro




Que pode acalmar o que se revolta




Capaz de tranquilizar águas que nunca tiveram sossego
Há dentro de mim um domador de marés
leer más...

sábado, 26 de novembro de 2011

SERENA SERENATA

| | 0 comentários


Menina serena com olhar de estrelas
Teu corpo flutua suave sobre a dor
Carrega uma flor branca em teu peito
Nos olhos fechados o sonho profundo do amor

Como uma serenata que toca os ouvidos
Cantada como um pedido de vida ao luar
Da janela se sente suspiros contidos
Que o peito sereno não deixa soprar

As palavras de encanto que tanto esperas
São vozes noturnas te fazes dormir
Uma serenata de amor depois de aberta
Só encontra sentido se os sentidos sentir

Menina pequena, coração de serenata
Tua dor navegas até ancorar
A flor que levou contigo no peito
É rosa tão bela flutuando no mar...
leer más...
Contador de visitas

Seguir

Inscreva-se

Coloque seu email aqui e receba as postagens desse blog:

Você vai receber um e-mail de confirmação

Nº de visitas

Contador de visitas
 
 

Diseñado por: Compartidísimo
Con imágenes de: Scrappingmar©

 
Ir Arriba