sábado, 4 de agosto de 2012

DE QUE É FEITA A SAUDADE?

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De que é feita a saudade?
Certamente de um pedaço de cada sentimento humano
Uma mão cheia de nostalgia
E uma pitada suave de felicidade
Os sabores que não sentimentos se dissolveram na mistura
Mas eles estão presentes...
Paixão e amor são o toque agridoce
Que amenizam a acidez da dor
Por isso saudade tem tantos sabores
Depende da medida de cada ingrediente
E isso será sempre muito particular
Cada um tempera a sua alma com aquilo que mais lhe falta
Saudade é o único alimento que vai bem quente ou frio

(Poema para as minhas amigas, tão saudosas em tempos de frio)

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

VERTIGEM

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Que vulto é esse que passa luminoso em meio à vertigem?
É Um milagre que escorregou de algum lugar impossível
E surpreendeu nossas frágeis crenças na vida
Sempre acreditei em milagres duvidando todos os dias
Ainda não tenho certezas
Mas a luz é bonita...
Tranquiliza a dor na cabeça trazida pela vastidão branca
É um milagre? Então me traz certezas


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quarta-feira, 20 de junho de 2012

A SORTE É ESSE ACIDENTE

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A vida é cheia de acidentes
Não há existência sem a violência do inesperado
Acidentes surgem para mudar a forma como os dias se movimentam
Em alguns escorre sangue
Outros recebem o nome de sorte
E ganham uma cor diferenciada
A sorte é esse acidente que modifica todas as crenças 
É quando o imprevisível nos causa um assombro doce
O contrário disso é a fatalidade
O assalto repentino que paralisa
O atropelamento imprevisto numa avenida congestionada
A colisão que nos surpreende na curva
A sorte, esse acidente com textura de dádiva...
É também uma certeza que nos acordará no meio da noite
De outra forma não faria sentido estar em alerta às desventuras
Acredito na compensação de todo mal
Ainda é preciso perceber quando sorte se traveste de acidente
A sorte também pode ser vermelha
Nem tudo o que nos põe no chão passa por cima de nós...
É preciso aceitar que o acaso está na vida para mudar alguma coisa
Talvez as escolhas que sem impacto não faríamos
Acidente e sorte dividem a identidade
E nos abordam nas ruas vazias do nosso esquecimento
Por descuido ou fatalidade seremos atingidos
Será sorte...
Um Acidente...
O acidente é essa sorte...
A sorte é o menos dolorido dos acidentes
Ainda bem que um espaço de seis letras distancia Sorte e Morte



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terça-feira, 19 de junho de 2012

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

RELEXÕES SOBRE A HUMANIDADE

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Todo dia a gente tenta chegar mais perto daquilo que deveria viver ao nosso lado A sociedade vai inventando formas de legitimar aquilo que ela anulou De resgatar aquilo que ela execrou O homem nas mãos da boa vontade do homem É irônico que tanta necessidade se origine si Tantos dependentes da boa vontade de poucos Ninguém de fato tem interesse em prioridades Como recuperar uma humanidade que se viciou? O menos aterrador de tudo que vemos É a percepção de que tanto caos gerou resistentes Indivíduos que mesmo vislumbrando a imutável condição dessa esfera Permanecem levantando diariamente a difundir seus sonhos Passará o tempo e pouco será de fato modificado Mas enquanto a barbárie preponderar Dessa geração nada espontânea emergirão os fortes A única garantia que temos de que vozes ainda surpreenderão Em meio ao silêncio que oprime será ouvido um grito Alguns nascem para ser a fortaleza de muitos E poucos morrerão que de fato tenham construído algo justo Mas enquanto os pequenos aglomerados dos que lutam existirem Muitos não poderão fingir que corre tranquila a civilização Terão que fazer, mesmo que seja de conta, que se importam E se a importância não for de fato um valor Haverão de nascer outros com a mesma necessidade... A de tornar verdadeiramente livre todo homem.
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sexta-feira, 13 de abril de 2012

O MAIS COMPLICADO

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De tão simples o mais complicado
Não bastasse o amor em mim tatuado
Arrancou-me a pele
Cicatriz profunda
Rasgou meu vestido
Sinto-me imunda

Quebrou meu espelho
Pra eu não me enxergar
Marcou em mim teu nome pra eu sempre lembrar
Trancou-me a alma
Lá dentro de mim
E deixou uma culpa que não sei fingir

Ferida a ferro
Coração em brasa
Retirou-me os sonhos
Destruiu a casa
E deixou-me viva
Não restou mais nada

Que vingança dura
Covarde e cruel
Não tem um só dia que não deseje o céu
Não tem uma manhã que eu queira acordar
Todo momento me pego a chorar

Presa em mim não saio na porta
Olhar meu corpo já não sou capaz
Sou coisa morta que não regenera mais
Quem sou eu? E essa dor aguda?
Quanto mais eu grito mais vou ficando muda

Quem sou se não tenho amor por mim?
Onde fui afinal se ainda permaneço aqui?
Cicatriz moral que não me deixar olhar
Queimadura que arde e nunca vai curar
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DOLORIR

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Dolorir é colorir com suas mãos a dor
Fazer florir em terreno que secou
Criar janelas para a luz entrar

Dolorir é inventar sempre novas razões
Se permitir deitar em emoções
E flutuar... Flutuar...

Dolorir é deixar partir o que passou
Sem nem por isso esquecer o que marcou
É por um vestido verde e dançar
Sentindo o corpo acreditar que por ir...

Ir onde o medo nunca deixou
O infinito pequeno ficou
Para quem resolveu pintar
Mudar a cor de cada ausência de tom
Por em cada palavra um som para ouvir... Ouvir

Dororir... É diexar a dor partir para nunca mais voltar.
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