sábado, 18 de abril de 2015

O POETA SOPROU NO MEU OUVIDO

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De súbito, como quem relembra velhos textos antigos... Decorados exaustivamente...
Ou melhor... Como quem reencontra bons textos inesquecíveis
Acomodados carinhosamente no fundo da memória... Ou na gaveta da alma...

A lembrança do poeta retornou ao coração
Eu que nunca fui afeito a datas importantes
Recordei, quase sem querer,  o dia do nascimento de um amigo querido...
O poeta Manuel Bandeira
Talvez, tenha sido apenas uma coincidência tola
Mas eu prefiro acreditar que ele me soprou ao ouvido o lembrete...
Faz alguns anos nos conhecemos
E desde lá, vez por outra, nos reencontramos de alguma forma
Foi ele quem me ensinou o segredo de uma poesia livre
Ao tempo que também me fez entender como usar com amor a escrita de outros
Ainda trago em mim o retrato da sua vida inteira
Que foi parte importante no início da minha caminhada junto ao invisível
O ponto de partida do início para a minha existência melhor
Foi no corredor, com  sua mala na mão que se despediu de mim...

Veio para trazer a sua poesia "menor"...
-"Menor"? Tão modesto esse meu amigo... A maior de todas!
Ele me mostrou que o caminho é longo e cheio de enganos
Que às vezes o que parece uma sentença irremediável...
E que surge como o prenúncio de uma morte prematura...
Pode se transformar no mais importante motivo que temos para viver
Logo o meu bom amigo retornou para Pasárgada
O seu reinado mais que perfeito...
Antes de partir prometeu hospedagem por lá...
E eu, claro, em breve irei visitá-lo
Eu não poderia deixar de escrever algo em sua homenagem nessa data, meu amigo...
Sei que você soprou no meu ouvido
A lembrança do dia que chegou na terra para fazer "rebuliço"

E eu, grato que sou, nunca poderia esquecer de você
___________________________________________________________
Escrevo esse texto em homenagem ao inesquecível MANUEL BANDEIRA. A primeira peça que fiz foi sobre ele e pude experimentar o seu universo como se fosse meu. Por isso, o sinto como um bom amigo, que fez uma viagem e logo regressará.

Nascimento: 19 de abril de 1886, Recife, Pernambuco, Brasil






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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

AO POETA ARARIPE COUTINHO

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Quando um poeta morre
Um pouco da sensibilidade do mundo morre também
Afinal, todos os que nascem predestinados a semear palavras
Não o fazem para si apenas
Fazem isso como um generosidade ancestral
Quase que por sina... Numa tentativa de transportar aos olhos...
As mensagens suspensas que nem todos conseguem ouvir
Os poetas são catalisa"dores"
Transformam as dores em pensamentos
Numa reação contrária ao desejo primeiro
Porém, a natureza é sábia...
E cada vez que um poeta precisa partir
Uma beleza nova emerge em algum lugar
E alguém irá enxergá-la e será salva
Porque essa é a função da poesia
Mas seria muito bom que todos os poetas tivessem realmente uma credencial para a eternidade
Não a simbólica... Mas a eternidade impossível aos homens
Dessa forma o exército dos que acreditam na resiliência seria insuperável
Mas deve haver alguma razão no mistério do adeus
O importante é que uma poesia plantada na alma
Germina... É a única flor que nunca morre
Um poeta morreu
Mas as flores que ele plantou não precisarão cobrir o seu corpo
Elas nunca estarão ao acesso das mãos
Serão sempre contempladas com o olhar

Ewertton Nunes

EM HOMENAGEM AO POETA ARARIPE COUTINHO
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NÃO ABRO MÃO DA CHUVA

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Eu não abro mão da chuva no dia em que eu partir
Desde criança o céu me dava indícios de partidas importantes
Como se de alguma forma algo no universo refletisse a perda terrena
Quando a minha última mala for arrumada
E a partida for confirmada no terminal do tempo
Quero que o céu também se compadeça
Mas não quero a chuva para aliviar
Como acontece em dias de calor
Quero a chuva para que dancem embaixo dela
Para que ela componha uma bela fotografia
Na última imagem que ficará na memória dos poucos que me viram partir
Os únicos que me viram de fato ser aquilo que nasci para ser
Eu não abro mão da chuva...
Ainda que não possa mais sentir a sua chegada
Pois a minha pele não mais terá essa sensibilidade
Em algum lugar, de alguma forma...
Vou me alegrar com a sua visita no dia em que eu partir.

Ewertton Nunes
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A MAIOR DE TODAS AS INJUSTIÇAS

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Às vezes vemos a morte como a justiça para alguns homens...
Como se a maldade tivesse um peso e uma medida
E em contraponto a isso somente a morte desperta a bondade nos homens
O olhar generoso e desprovido de julgamentos
A paz que emerge do medo que se tem do invisível
Talvez a solução para o respeito às diferenças
Esteja em olhar o outro sempre postumamente
Como se ele partisse todos os dias
Assim, apaziguar-se-iam todos os conflitos do caráter
Todas as línguas e mentes hesitariam
E todos teriam seus pecados lavados 
Como numa espécie de excomunhão da vida
Não existe verdadeiramente uma compensação adequada para o mal ou para o bem
Não existe justiça alguma que seja justa com a natureza humana
A única coisa que é real são as injustiças que herdamos
E a maior de todas as injustiça está em nascer

Ewertton Nunes

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sábado, 9 de agosto de 2014

MALAS, CAIXAS E CAIXOTES

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O que guardo em malas, caixas e caixotes
Diz respeito ao meu mundo imaginário
Do qual tive a sorte de trazer algumas recordações
São pequenas partes de memórias
Artefatos de histórias que nem lembro por completo
Mas quando retiro de lá qualquer lembrança
Tão logo emerge em mim o teatro, a dança...
Ou qualquer insanidade que distribuo por ai
O que guardo em malas, caixas e caixotes
Por azar ou sorte
Guarda o que há de mais verdadeiro em mim

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domingo, 22 de dezembro de 2013

CATA-RIMAS

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Catarina...
Tão bom ser mulher, ser menina...
Ser adulta
E pequenina
Ser arquiteta é sua rotina
Sonhos projeta como ninguém
Para ser completa não desanima
Desdobra-se... Transforma-se no que for
No amor uma sintonia fina
Até sua cadelinha se chama Nina  
Tantas marcas na retina
Na pele, no coração...
Por vezes bailarina
Querendo subir nas pontas  e voar
Ir até a Terra do Nunca
Onde não se pode envelhecer...
Sonho bom que desatina
Quando é preciso desatinar
Os anos passam...
Mas para ela nunca vão passar
Segue em frente em sua sina
De ser muitas "Catarinas"
Antes que feche a cortina aconselho: "Cata-rimas", Catarina!
E rima a vida com o que desejar.
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QUANDO O AMOR RESSIGNIFICA...

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Quando coloco para ninar a minha poesia
É porque outro amor "ressignificante" desperta

Com a distância dos versos compreendo o nascimento de algo bom
A minha poesia parece ter encontrado outros caminhos para chegar ao invisível
E assim sei... Alguém chegou para ressignificar o amor


Homem líquido... Com cabelos orvalhados e coração de magma.
Carnívoro amante dos prazeres
Devorando cada pedaço meu com fome legítima
Um nova inspiração da vida que entra na minha realidade dos sonhos
O vice-versa... Um sonho que agora toca novamente a dimensão paralela na qual habito
De maneira sempre intensa... Pulsante... Com um movimento novo a cada dia.
Eu que passo a vida a pensar sobre encontros
Que muitos pensamentos já despejei sobre esse ciclo ininterrupto da vida
Busco a compreensão das chegadas e despedidas
Desses acasos que nos conduzem para surpresas que  transitavam em tempo e lugares que até então desconhecíamos
E algumas virtualidades se cruzam
Para, de repente, se tornarem uma motivação grande para toda a nossa existência
E assim chegou... Nome inusual... Assim como tudo o que viria depois
Dotado de tantas características ilógicas que não se pode julgar os defeitos e as virtudes
A confluência resulta em uma personalidade ímpar
No complexo necessário... As várias faces de uma natureza intensa
Nós sabemos que muitas semelhanças atropelam o começo de tudo
E os receios de viver histórias repetidas assustam
Mas aqueles de difícil conformidade se permitem
Somam... Multiplicam... E aprendem a dividir, tentando subtrair o mínimo possível das novas construções
Elevar é apenas levar o outro para cima
Isso é de fato relacionamento
E assim vão aflorando virtudes lindas
Razões para enlaces cada vez mais estreitos
Tenho admirado os contrastes excepcionais
Ouvido a música gostosa de que vem de sorrisos largos e com volume gutural
Apreciando um grande e menino brincar...
Um adolescente  se deslumbrar com suas descobertas fundamentais
Resgatando uma fase da vida que foi abandonada em meio a escolhas perpétuas
Sem as quais o presente não existiria... Afinal, foi em meio a tudo isso que se fez o "Homem" de agora
Que não teme, não julga, ou se julga não sentencia... E se por acaso afirmo que sentencia... Logo irá negar para ser a contradição.
Um alguém em busca das liberdades
Sejam elas quantas forem...
Vou observando ao seu lado tudo o que ele é... E aprendendo sobre aquilo que não sou
Posso acompanhar o amigo amado... E aprender com suas atitudes como simplesmente cativar...
Sem violências, sem imposições...
Observar o pai afetuoso e projetado nas personalidades dos seus filhos
O professor que não consegue deixar de ofertar lições para todos os que o cercam
Ainda que os meios tortuosos tenham como fim a benevolência
Vejo a mais bela das virtudes que alguém pode ter
A de se importar... De ser generoso sem fingimento
Leio em suas muitas tentativas de justificar os fatos
Uma necessidade que não se pode condenar em ninguém...
A de querer acertar sempre
Gosto de desfrutar do amor pleno: companheiro, amante, parceiro e cúmplice se preciso for... E assim é o meu!
O primeiro ano de um importante acontecimento
Profetiza a felicidade de uma longa vida...
Como se algumas certezas fossem vozes inconscientes
Oriundas de instantes antes do agora 
E essas vozes me dizem que encontrei algo que não perderei jamais
Que ficará, ainda que a parte efêmera de tudo isso cumpra sua sina
Afinal, o que nos transforma sem nos transfigurar
O que nos metamorfoseia nos tornando ainda melhores
Cria a sua própria eternidade.
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"Ressignificação é o método utilizado em neurolingüística para fazer com que pessoas possam atribuir novo significado a acontecimentos através da mudança de sua visão de mundo."



"



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