sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

DITA

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A natureza humana dita
Às vezes bendita
Muitas vezes maldita
Irremediavelmente dita
Por isso mesmo desdita
É essa natureza a maestrina
Orquestrando o homem às suas sinas
E como uma mãe sem tolerância
Uma esposa desmedida
É a esravidão sem alforria
A dita natureza humana grita
E abaixamos nossas cabeças
Ela escreve a vida
E a gente segue a sua escrita


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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

EU VI A LIBERDADE

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Eu vi a liberdade
E ela era de fato mulher
Mas não uma apenas
Era  a força de muitas mulheres reunidas
O encontro de várias histórias de sentença
De  particulares olhares sobre a vida
De belezas que afloravam
De felicidades que estavam adormecidas
A liberdade cantava, girava, dizia palavras que não eram suas
Mas que em sua boca se tornavam um desejo comum
A liberdade estava nas mãos e com ela se fizeram melodias
Ritmo e compasso no descompasso de destinos mediados pela justiça
A liberdade abraçou a esperança sem mágoas
Sem pensar no segundo seguinte
Porque a liberdade tem vida curta para alguns
E os pensamentos podem antecipar o fim
Por isso ela preferiu não pensar
E se entregou de forma desmedida
À poesia sem correntes
Sem cadeados, sem limites...
As celas ganharam flores
E o cárcere ganhou mais espaço
Ecos de vozes que cantaram unidas
Assim é a liberdade
A possibilidade mais fugaz que existe
É uma gota de açucar a suavizar
O gosto amargo de vidas contidas



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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ESSA VIOLÊNCIA É O DEUS DA HUMANIDADE

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Quando eu era criança aprendi a importância do temor
E de fato reconheço o medo, por mais controverso que pareça, como o marcapasso do caráter
Um dia simplesmente descobri Deus
Disseram-me que deveria temê-lo
Mas quando a gente é pequeno a gente simplesmente vai...
Sem questionar a verdade que vem dos outros
E eu segui me equilibrando entre o certo e o errado
Buscando ampliar virtudes e anular pecados
E foi isso que me segurou no mundo
Apesar de não compreender muito bem
A razão de sentir medo de algo que é bom
E fazer disso o condutor do meu destino
Eu já tinha em casa a experiência de temer a um pai real
Que não escolhi... Simplesmente acordei e ele estava lá
Depois me ensinaram que Deus é meu pai também
E isso me trazia a felicidade de uma paternidade sem violência
Esse sim eu escolhi, mas o temor a ele também me foi imposto
E eu o temi...
Hoje percebo que o homem é controlado pelo medo
E o papel que é do criador foi retirado
É a violência que segura o Homem
Por mais estranho que pareça
A violência é o Deus da humanidade
O homem perdeu o seu predador natural
E a capacidade de ser conduzido pelo bem
Então, o mal assumiu o controle
Em que "humana idade" Deus será libertado
E deixará de ser refém?
O homem predador de si logo chegará à extinção
E o que restará?
A essência do invisível... Deus
Que mesmo tendo perdido o controle de suas criaturas
Ainda possui nas mãos a arma mais poderosa que existe
Ele sim decide o fim de todos



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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

PALAVRAS "MAL-DITAS"

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Aprendi a dizer "eu te amo" sem eco
Mas ainda não aprendi a pedir perdão sem culpa
Quando a gente perde a capacidade de cuidar
De quem nos é cuidador
De ferir sem receio
A pele que melhor abriga as nossas necessidades
A mão que antecipa a ajuda...
Há algo em nós que adormeceu
Ou seria uma súbita morte ainda não percebida?
Quando as palavras se tornam "mal-ditas"
E são lançadas sem a miníma piedade
Aí vem o silêncio em defesa
Para tentar refugiar o que ainda é sobrevivente
Quando passa o espanto primeiro
Dessa surpresa indesejada
É que a gente sai para enxergar os danos
Deixados por palavras torrentes
E pode melhor visualizar o caos
Deixado dentro dos pensamentos
Em algum lugar de nossa trajetória a gente perde
A grandeza de se arrepender
De voltar atrás nas nossas escolhas inconsequentes
Eu sempre falo da salvação através de coisas simples
Como um abraço ou um pedido de desculpa
Mas como pedir perdão
Sem que habite em nossos olhos
O sentimento redentor da culpa?
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

AVISOS

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Com os anos a gente aprende a decifrar nuvens
Quando crianças o que fazemos é projetar a inocência
Só o tempo materializa premonições
Pressentimentos sussuram ao ouvido
E ganhamos mais generosidade para ouví-los
Por proteção do invisível ou sorte
Vamos supreendendo a morte em suas artimanhas
Da mesma forma que somente a aflição valora a prece
Até quando a fatalidade seja o fim da brincadeira
E Deus o dono da bola desista de dividir sua atenção conosco
Hoje sinto o vento de chuva que se aproxima
A pele compreende que é hora de procurar abrigo
Por que  o clima muda de repente
E a fragilidade humana assume a sua soberania sobre nós
Ainda bem que a gente aprende desde cedo a olhar para o céu
A acreditar em sonhos
Somente assim a gente vai seguindo
Apesar dos avisos...



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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

PARA TUDO...

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Para encanto ou desencanto

Canto...

No entanto chega o pranto

E o espanto de viver

Para deslumbramento ou lamento

Tento

E a vida me ensina

A não temer as desventuras
 
Que chegam com o anoitecer

Para ilusão ou solidão

Violão

E um dedilhado suave

Que possa ensurdecer a razão

Para melancolia ou utopia
 
A paz que abranda tempestades e vento forte

Para toda maldade ou saudade

A mesma dose de compaixão
 
De amor ou sorte
 
Para toda vida ou morte
 
Você
 
Para acalentar o que não quer adormecer
 
 
 
 
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E-MOTIVO

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De olhos e sorrisos
Das canções o motivo
No berço seu choro em dó maior
A música não espera
É flor de primavera que perfuma

Sem querer sufocar
Os mesmos olhos de menino
Que continuam sorrindo
Com o violão no colo a compor
Cantando pra não chorar
A alegria da vida
E fazendo samba
Com seus motivos de amor
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