sexta-feira, 21 de setembro de 2012

FUI ALI...

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Tenho escrito pouco
Acho que a poesia tinha ido ali...
 Mas ela voltou
 Que bom que ela sempre volta
Afinal todo mundo tem seus dias de isolamento
O problema é o vazio que ela deixa
Uma sensação de falta de sentido
Como se algo muito importante tivesse desaparecido
E não soubesse onde foi deixado
Que bom sentir que minhas mãos ainda são instumento
Que meu olhar não ficou sem inquilina
Seja bem vinda poesia menina
Da proxima vez que for ali não se demore
Ou ao menos deixe um bilhete
Para que eu não me sinta abandonado
Não precisa dizer o destino
Nem quanto tempo será asua ausência
Diga somente:
"Fui ali... Um dia eu volto... Você sabe que eu volto... Por isso não me despedi."

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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

GANGORRA

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A gente vai tentando se equilibrar
Nessa gangorra de sorte
Até que chegue a morte
A parte baixa dessa brincadeira
Há dias em que a alegria chega
Falo alegria e não felicidade
Porque felicidade é coisa séria e pesada
Noutro momento próximo nos vem a tristeza súbita
Dias de pouca tranquilidade
Como um assalto
Nos deixando a mesma sensação de perda e violência
O pior é quando nos atira a mão do amor
Aqui falo amor por ser uma condição crônica
Eu sinto muito mais a decepção
Quando o insulto vem de olhos íntimos
Quando aquele em quem repousa o meu coração
Veste-me com roupas que nunca usei
De certo que temos pecados
O pecado é a coluna vertebral do homem
O meu maior com certeza é o de tentar não machucar ninguém
Nem mesmo em minha vaidade
E me proteger pouco daqueles a quem dou muito valor
A realidade é que não concebo amor com armas nas mãos
Navalhas afiadas para cortar sutilmente as camadas menos calejadas da alma
Sou mais do exercício da carícia
Das palavras de construção...
Tão leves que possam se erguer sem pesar
Acredito na cumplicidade sem danos
E por toda a vida... Diariamente refeita para ser sempre recém chegada
Sei que por toda a vida serei o meu único expectador
Único desprovido de falsas impressões
Solitário conhecedor das minhas reais motivações
Enquanto vivo as tristezas de amores que não consiguirão nunca me enxergar
Acho que fatalmente acabarei me tornando todos os outros que encontram dentro de mim
E que eu não consigo encontrar...
O que eu sou de verdade
Deixarei unicamente para o meu deleite particular
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sábado, 4 de agosto de 2012

DE QUE É FEITA A SAUDADE?

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De que é feita a saudade?
Certamente de um pedaço de cada sentimento humano
Uma mão cheia de nostalgia
E uma pitada suave de felicidade
Os sabores que não sentimentos se dissolveram na mistura
Mas eles estão presentes...
Paixão e amor são o toque agridoce
Que amenizam a acidez da dor
Por isso saudade tem tantos sabores
Depende da medida de cada ingrediente
E isso será sempre muito particular
Cada um tempera a sua alma com aquilo que mais lhe falta
Saudade é o único alimento que vai bem quente ou frio

(Poema para as minhas amigas, tão saudosas em tempos de frio)

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

VERTIGEM

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Que vulto é esse que passa luminoso em meio à vertigem?
É Um milagre que escorregou de algum lugar impossível
E surpreendeu nossas frágeis crenças na vida
Sempre acreditei em milagres duvidando todos os dias
Ainda não tenho certezas
Mas a luz é bonita...
Tranquiliza a dor na cabeça trazida pela vastidão branca
É um milagre? Então me traz certezas


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quarta-feira, 20 de junho de 2012

A SORTE É ESSE ACIDENTE

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A vida é cheia de acidentes
Não há existência sem a violência do inesperado
Acidentes surgem para mudar a forma como os dias se movimentam
Em alguns escorre sangue
Outros recebem o nome de sorte
E ganham uma cor diferenciada
A sorte é esse acidente que modifica todas as crenças 
É quando o imprevisível nos causa um assombro doce
O contrário disso é a fatalidade
O assalto repentino que paralisa
O atropelamento imprevisto numa avenida congestionada
A colisão que nos surpreende na curva
A sorte, esse acidente com textura de dádiva...
É também uma certeza que nos acordará no meio da noite
De outra forma não faria sentido estar em alerta às desventuras
Acredito na compensação de todo mal
Ainda é preciso perceber quando sorte se traveste de acidente
A sorte também pode ser vermelha
Nem tudo o que nos põe no chão passa por cima de nós...
É preciso aceitar que o acaso está na vida para mudar alguma coisa
Talvez as escolhas que sem impacto não faríamos
Acidente e sorte dividem a identidade
E nos abordam nas ruas vazias do nosso esquecimento
Por descuido ou fatalidade seremos atingidos
Será sorte...
Um Acidente...
O acidente é essa sorte...
A sorte é o menos dolorido dos acidentes
Ainda bem que um espaço de seis letras distancia Sorte e Morte



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terça-feira, 19 de junho de 2012

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

RELEXÕES SOBRE A HUMANIDADE

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Todo dia a gente tenta chegar mais perto daquilo que deveria viver ao nosso lado A sociedade vai inventando formas de legitimar aquilo que ela anulou De resgatar aquilo que ela execrou O homem nas mãos da boa vontade do homem É irônico que tanta necessidade se origine si Tantos dependentes da boa vontade de poucos Ninguém de fato tem interesse em prioridades Como recuperar uma humanidade que se viciou? O menos aterrador de tudo que vemos É a percepção de que tanto caos gerou resistentes Indivíduos que mesmo vislumbrando a imutável condição dessa esfera Permanecem levantando diariamente a difundir seus sonhos Passará o tempo e pouco será de fato modificado Mas enquanto a barbárie preponderar Dessa geração nada espontânea emergirão os fortes A única garantia que temos de que vozes ainda surpreenderão Em meio ao silêncio que oprime será ouvido um grito Alguns nascem para ser a fortaleza de muitos E poucos morrerão que de fato tenham construído algo justo Mas enquanto os pequenos aglomerados dos que lutam existirem Muitos não poderão fingir que corre tranquila a civilização Terão que fazer, mesmo que seja de conta, que se importam E se a importância não for de fato um valor Haverão de nascer outros com a mesma necessidade... A de tornar verdadeiramente livre todo homem.
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